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Sul-africanos criam sorvete de leite de inseto e apostam em "superalimento"

Nerea González.

Johanesburgo, 14 jun (EFE).- Com uma receita ainda secreta, três jovens da África do Sul desenvolveram um leite inovador à base de insetos, tendo a intenção de derrubar preconceitos e mostrar ao mundo as vantagens deste novo "superalimento", primeiro apresentado na forma de sorvete.

Empresa responsável pelo chamado "entomilk", a Gourmet Grubb tem sede na Cidade do Cabo e, por enquanto, uma presença pequena nos mercados. Com três sabores - pasta de amendoim, chocolate e chai - atualmente, os sorvetes são vendidos em um mercado orgânico da cidade, mas a companhia quer ampliar os horizontes e levar a iguaria a eventos de nicho.

"Usamos o sorvete para incentivar as pessoas a experimentarem. Quando provam e veem que é um sorvete normal, ficam mais abertas a aceitá-lo como uma alternativa láctea", explicou à Agência Efe Leah Bessa, uma das fundadora da empresa e desenvolvedora do produto.

Leah trabalha ao lado dos outros dois fundadores, Jean Louwrens (chefe de operações) e Llewelyn de Beer (diretor de marketing), além de outras duas pessoas. Como o registro da patente da receita ainda está em processo, eles guardam com cuidado os detalhes de tudo o que é feito, desde quais insetos são usados na base até como eles se "transformam" em leite. O termo entomilk surge da combinação das palavras em inglês "milk" (leite) e entomofagia, ou seja, a prática de ingerir insetos.

Segundo Leah, o produto da Gourmet Grubb é completamente diferente do "leite de barata" que viralizou há dois anos, já que o deles é totalmente extraído de um tipo animal que produz o alimento para os próprios filhotes. O produto é vendido como um "superalimento" por conta do alto valor nutritivo - muito superior ao leite de vaca tanto em minerais quanto no cálcio, no ferro e em proteínas - e tem vantagens para o meio ambiente.

"Os insetos crescem muito rápido, não usam muito espaço, não usam muita água e não geram tantos gases como a pecuária. Dado que a população mundial está crescendo, temos que buscar alternativas que sejam mais sustentáveis. Inclusive estamos ficando sem solo para o pasto", ressaltou.

Além disso, o entomilk pode ser uma nova alternativa para os intolerantes à lactose, cujo número também na África do Sul e no resto do mundo. Cremoso e de sabor "muito neutro", ele se parece com o leite de amêndoas, de acordo com a criadora.

"Basicamente, o que queremos é fazer com que se torne 'normal'. Eu diria simplesmente: 'provem'. Temos o conceito prévio de que não é gostoso ou algo do tipo, mas quando provamos, principalmente no formato de sorvete, todas essas barreiras caem. É só mais um produto. Se as pessoas souberem dos benefícios e do sabor, ficarão muito mais abertas a incorporá-lo na dieta diária", reiterou.

A ideia de pesquisar opções de alimentos que os insetos oferecem surgiu enquanto ela fazia o mestrado, quatro anos atrás, mas o entomilk só foi lançado mesmo há um ano e meio.

"Estava muito interessada na sustentabilidade da alimentação e a pesquisa dos insetos realmente se destaca nisto: são bons para o meio ambiente e têm um perfil muito elevado quanto à quantidade de nutrientes. A questão é que o mundo, principalmente no ocidente, não está acostumado a isso", explicou.

Com o fim da barreira social em mente, este ano o entomilk começou a ser vendido na forma de sorvete, mas a ideia não é parar por aí. Segundo Leah, a intenção é expandir e, aos poucos, ir acrescentando outros produtos ao cardápio. Um deles poderia ser o queijo de leite de insetos.

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