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Renegociação do Nafta completa um ano sem progressos significativos

19/08/2018 11h00

Alfonso Fernández

Washington, 19 ago (EFE).- A renegociação do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) completa um ano de constante reuniões e reprovações, sem alcançar progressos significativos em relação com o novo pacto comercial entre México, EUA e Canadá.

Há exatamente 12 anos, Robert Lighthizer, representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Ildefonso Guajardo, secretário de Economia do México, e Chrystia Freeland, ministra das Relações Exteriores do Canadá, deram início às conversas em Washington para renovar o acordo, em vigor desde 1994.

Após inúmeros encontros, mesas de trabalho, ligações, reuniões bilaterais e trilaterais, a única coisa que parece ter se consolidado são as boas relações pessoais entre os três chefes negociadores.

O impulso para renegociar o Nafta, considerado até então um sucesso da integração comercial pelos governos dos três países, foi a chegada à Casa Branca de Donald Trump, que o qualificou em reiteradas ocasiões como um "desastre".

Em agosto de 2017, a diferença entre as partes era notável: os EUA buscavam uma renegociação completa; enquanto o Canadá e o México apostavam por uma atualização e modernização.

Lighthizer disse em entrevista coletiva que o pacto, que engloba mais de um US$ 1 trilhão em comércio ao ano, fracassou para "um indeterminável de trabalhadores americanos".

Já Guajardo e Freeland se mostraram mais conciliadores e destacaram os benefícios conquistados.

"Não queremos meros retoques", ressaltou o representante americano.

Desde então, as datas limites têm sido adiadas. Em um primeiro momento, Washington apostou por um acordo para o começo de 2018, algo que logo foi descartado.

Depois, o objetivo era a primavera, também sem sucesso. E, posteriormente, ficou marcado como meta as eleições presidenciais mexicanas de 1 de julho.

O setor automotor continua sendo um dos principais pontos de disputa, com Washington exigindo aumentar a porcentagem de autopeças que devem ser fabricadas nos EUA.

Além disso, o governo de Trump segue impulsionando uma cláusula que obriga a revisar o acordo a cada cinco anos, algo ao qual Canadá e México se opõem frontalmente.

Enquanto as rodadas de conversas mensais se transformavam em encontros bilaterais e trilaterais quase semanais, estas eram salpicadas pelos comentários depreciativos de Trump, que criticou a atitude dos seus vizinhos norte-americanos e ameaçou romper de vez com o pacto.

Em um golpe de efeito inesperado, no final de maio, o líder, que tinha eximido ambos países de suas tarifas às importações de aço e alumínio por ser estreitos aliado, retirava este privilégio perante o assombro de Ottawa e o México.

Nesta quinta-feira, em reunião de gabinete na Casa Branca, Trump deixou clara sua posição. "Não tenho pressa. Se não temos progressos, não fechamos um acordo".

Durante este tempo, a preocupação tem sido entre os empresários e produtores das três partes perante a falta de concretização sobre a futura relação comercial.

Bill Gordon, granjeiro de Minesota e tesoureiro da Associação Americano da Soja (ASA, por sigla em inglês), expressou preocupação diante da falta de acordo sobre o novo NAFTA.

"Entendemos os problemas com a China. Mas não o por que desta disputa com o Canadá e o México, que são próximos parceiros comerciais. O Nafta foi positivo para nós", disse Gordon em entrevista à Agência Efe no final de julho.

Na sexta-feira, Guajardo e Lighthizer concluíram uma nova reunião de trabalho em Washington, com o objetivo de aproximar as posturas entre ambos países, e assim retomar em breve as conversas com o Canadá.

"A situação é de esperança, mas incerta. O desejo de concluir as negociações é real e pode levar a resultados positivos", afirmou à Efe Eric Farnsworth, vice-presidente do centro de estudos Council of the Americas.

Farnsworth recalcou, no entanto, que para que os avanços sejam substanciais será necessária a "flexibilidade" dos Estados Unidos.