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Europa celebra fim histórico de 8 anos "dolorosos" de resgates à Grécia

20/08/2018 09h36

Bruxelas, 20 ago (EFE).- O comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, celebrou nesta segunda-feira o fim "histórico" de oito anos de programas de resgate da economia da Grécia, que ele considerou que foram "dolorosos" para o povo grego.

Moscovici qualificou de "histórico para todos e, em primeiro lugar, para o povo grego", o ponto final oficial de três programas consecutivos de assistência ao longo de oito anos "dolorosos", em uma entrevista coletiva por ocasião da conclusão do terceiro e último resgate concedido ao país, neste caso pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).

"Seguiremos ao lado da Grécia, trabalharemos duro para que os sacrifícios do passado não sejam em vão", garantiu o comissário francês, que anunciou que a primeira missão comunitária no país após o fechamento do programa de assistência vai acontecer na semana de 10 de setembro.

O serviço de apoio às reformas estruturais da Comissão "continuará oferecendo assistência às autoridades gregas, se elas o solicitarem, no desenvolvimento e implementação de reformas que fortaleçam o crescimento", segundo a Comissão Europeia.

Está previsto que, apesar de a Grécia voltar a assumir as rédeas de sua gestão econômica, o país permaneça submetido a uma estreita vigilância até 2022.

Moscovici insistiu que a Grécia "é um país normal agora" e que a Comissão Europeia não vai "controlar as medidas que o país adotar (...) a Grécia é livre para definir sua política econômica".

Em todo caso, o comissário advertiu que o fim do resgate "não é o fim do caminho" e que " serão necessários mais esforços para consolidar" a economia do país.

Para Moscovici, o fim do programa de resgate marca uma "linha simbólica em uma crise existencial" da zona do euro.

No total, o programa que conclui hoje concedeu à Grécia empréstimos no valor de 61,9 bilhões de euros em troca da implementação de um pacote de reformas "integral e sem precedentes", segundo a Comissão Europeia.

O órgão executivo da UE especificou que o setor financeiro grego "está agora em uma posição muito mais forte" devido à "recapitalização bem-sucedida" à qual foi submetido.

Moscovici destacou que a eficácia da administração pública grega melhorou com novas normas sobre indicação, avaliação e mobilidade de funcionários; o estabelecimento de uma autoridade independente para as receitas públicas, e medidas para agilizar o sistema judicial.

Além disso, o comissário mencionou as "importantes medidas estruturais" implementadas para melhorar o clima empresarial e a competitividade da Grécia, e ressaltou o estabelecimento de pensões "sustentáveis e universais", de um sistema de saúde e de benefícios sociais e um esquema garantido de renda mínima.

A Comissão Europeia ressaltou que o crescimento do PIB grego passou de -5,5% em 2010 para 1,4% em 2017 e que espera que permaneça em torno de 2% em 2018 e 2019, enquanto o balanço fiscal progrediu de um "déficit maciço" do 15,1% em 2009 para um superávit de 0,8% em 2017.

E, apesar de o índice de desemprego seguir "inaceitavelmente alto", os últimos números das autoridades gregas indicam uma queda para 19,5% em maio, ficando abaixo dos 20% "pela primeira vez desde setembro de 2011", de acordo com a Comissão Europeia.