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Grécia celebra com reservas fim do resgate financeiro

20/08/2018 08h30

Atenas, 20 ago (EFE).- A Grécia entra nesta segunda-feira em uma nova era de autonomia com o fim do último programa de ajuda financeira, mas tanto o Governo como a patronal dão este passo com reserva diante dos desafios que há pela frente e a dor dos últimos anos.

"É preciso aproveitar esta oportunidade para curar as feridas da crise e do trauma da longa austeridade, para acabar com os males do passado e iniciar uma transformação que proteja a sociedade de futuras crises", disse hoje o vice-primeiro-ministro grego, Yannis Dragasakis.

Originalmente, o Governo grego planejava festejar hoje a recuperação das rédeas do futuro do país, mas as brasas dos trágicos incêndios que arrasaram o país em julho e a sensação geral de que não há nada para celebrar reduziram os planos a um discurso do primeiro-ministro, Alexis Tsipras.

O porta-voz do Governo, Dimitris Tzanakopulos, se mostrou "convencido" de que a população poderá sentir em breve a diferença deste novo etapa.

Tzanakopulos destacou que a partir de agora não serão necessárias novas medidas de ajuste fiscal graças aos 24 bilhões de euros com o qual o país pretende cobrir as suas necessidades financeiras enquanto abre passagem nos mercados.

Além disso, insistiu que "com bastante certeza" o Governo não necessitará aplicar outro corte às pensões em 2019 para conseguir seu objetivo de 3,5% de superavit primário.

Trata-se de uma medida estipulada com os credores que o Governo quer evitar a todo custo durante esta nova fase que desponta mais social.

Por sua vez, representantes dos empresários como Vasilis Korkidis, presidente das pequenas e médias empresas gregas, dão as boas-vindas hoje à saída oficial do resgate, mas lembram as 250 mil empresas que tiveram que fechar, os quase 925 mil desempregados registrados e a dívida de 227 bilhões de euros que os gregos devem ao Fisco, à Previdência Social e aos bancos.

"Para as pequenas e médias empresas, em 21 de agosto será um dia de balanço, não de comemoração, uma vez que os memorandos podem desaparecer, mas as medidas e os impostos permanecem", destacou.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria do país, Konstantinos Mijalos, ressaltou a necessidade imperativa de atrair novos investidores.

"Temos que incentivá-los a investir na Grécia. Se não prevalecer o sentido da prudência, do consenso e da cooperação, temo que o país dará um passo adiante e três para atrás", advertiu Mijalos em declarações à "Euronews".