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OCDE aponta reforma da Previdência como maior desafio do Brasil

21/11/2018 18h43

Paris, 21 nov (EFE).- A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) prevê que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil crescerá 2,1% em 2019 e 2,4% em 2020, mas alertou que essa tendência pode mudar se o país não reformar o sistema de previdência.

Em seu relatório de perspectivas, apresentado nesta quarta-feira (21), no entanto, a OCDE diminuiu as projeções de crescimento do país em relação aos cálculos que fez há seis meses. A organização, que reúne a maioria dos países ricos, revisou para baixo o crescimento do PIB em 2018 (de 2% para 1,2%) e 2019 (de 2,8% para 2,1%).

Em entrevista à Agência Efe, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, atribuiu a perspectiva de desaceleração à queda dos preços das matérias-primas, por conta de uma menor demanda mundial, e a fatores internos.

"No caso do Brasil, existe uma transição muito grande (a eleição do novo presidente, Jair Bolsonaro) que sempre gera um pouco de dúvidas. Vamos ver quais são os sinais, quais são as regulações", afirmou.

Segundo Gurría, este é um processo "normal", pois todos os governos levam um tempo nos primeiros anos até conseguirem "decolar".

No relatório, a OCDE também defendeu ampliar o alcance do programa "Bolsa Família" para mais camadas da população. "Servirá para promover incentivos para frequentar a escola e para ir ao médico e, portanto, reduzirá as desigualdades educacionais e de saúde", argumentou.

Reforma da Previdência

Além disso, para os autores, "a sustentabilidade fiscal continua sendo um risco, especialmente pelas despesas no pagamento de previdências". De acordo com a organização com sede em Paris (França), "a construção de um consenso político em torno do sistema previdenciário será um grande desafio para o governo de Jair Bolsonaro, que tomará posse em 1º de janeiro".

"Se a incerteza sobre as reformas diminuir, o investimento se fortalecerá", acrescentou a OCDE, que constatou a recuperação do PIB, iniciada em 2017 depois da grande recessão de 2015 e 2016, a melhora do mercado de trabalho e o aumento do consumo interno.

Segundo a organização, a inflação continuará sob controle, apesar de um aumento para 4,6% e 4,3% em 2019 e 2020, respectivamente, em relação a 2018 (3,8%).

"A inflação e a inflação primária permanecem abaixo da meta, e as taxas de juros continuam baixas, contribuindo para os gastos das famílias", disse.

O relatório lembra que a economia do Brasil conseguiu se recuperar relativamente bem da greve dos caminhoneiros organizada em maio deste ano.

Além da reforma da previdência, que dependerá de muita articulação política do governo Bolsonaro para que seja aprovada no Congresso, a OCDE recomendou que não seja aumentado o salário mínimo, pois ele é utilizado como escala para o pagamento de aposentadorias.

A organização também defendeu que o Brasil acabe com o subsídio ao diesel, alegando que "representa um freio à poupança pública", e recomendou que o país aposte "em uma maior integração na economia global" que melhore "a efetividade" das empresas brasileiras.

De acordo com o texto, também existe uma preocupação com a crise na Argentina, que pode afetar o Brasil por conta da grande parceria comercial, e com as tensões entre os Estados Unidos e a China, "os dois maiores parceiros comerciais" do país.