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Festival de Gelo e Neve de Harbin continua fascinando no seu 35º aniversário

2019-01-14T06:02:00

14/01/2019 06h02

Javier Castro Bugarín.

Harbin (China), 14 jan (EFE).- Atraídas por uma simbiose única de virtuosismo e arte em temperaturas gélidas, milhares de pessoas visitam o Festival de Gelo e Neve de Harbin, no nordeste da China, um clássico do inverno do país que completa 35 anos com uma saúde de ferro.

Há várias décadas, esta cidade, capital da província setentrional de Heilongjiang, faz frente ao frio extremo do inverno com a construção de centenas de esculturas de gelo e neve, cada uma mais detalhista, volumosa e extravagante que a outra.

É precisamente esta peculiar celebração que transformou uma antiga região de pescadores em um dos maiores expoentes do inverno chinês, com um número de visitantes que supera a cada ano um milhão de pessoas, apesar das temperaturas que oscilam entre 15 e 25 graus abaixo de zero.

A atmosfera festiva se respira em qualquer canto da cidade, mas especialmente nos seus locais mais emblemáticos, como o parque de Zhaolin, que durante o dia recebe centenas de famílias para tirar fotos com as múltiplas esculturas geladas que povoam o recinto.

Mas, para presenciar o verdadeiro espetáculo diurno em Harbin, é preciso ir até a rua Zhongyang e atravessar o rio Songhua rumo à Ilha do Sol, que neste ano volta a ser sede de uma popular exposição de esculturas de neve.

É ali que se congrega o verdadeiro espírito do festival ao combinar o modernismo e a vanguarda chineses com a tradição usada do estrangeiro.

Cativados por esse encantamento do inverno de Harbin, um grupo de quatro espanhóis voou da Catalunha para participar de vários dos torneios de escultura do festival.

Entre eles está Fátima Naranjo, que pelo terceiro ano consecutivo mudou seu ofício de joalheira pelo de artista da neve.

"Se você gosta de viajar e de aventura, e de combinar isso com a arte, então Harbin é perfeito", comentou Fátima à Agência Efe.

Depois de ter conseguido o terceiro lugar na modalidade de esculturas de gelo, agora Fátima e seus três companheiros buscam obter um novo prêmio com "Pinguins em ação", uma divertida construção cubista feita com um único bloco de neve de quatro metros de altura.

"Fizemos um pouco como piada, por isso que somos quatro pessoas, mas que quando caminhamos sobre a neve parecemos quatro pinguins", comentou entre risos.

Continuando o trajeto pela Ilha do Sol, é impossível não maravilhar-se pelo "Passeio pela Galáxia", uma impressionante estrutura onde o mais chamativo é o sereno rosto de uma mulher, acompanhada a poucos metros de um monumento que lembra o mítico Taj Mahal da Índia.

Ambas construções compõem o cenário perfeito de dezenas de atividades recreativas, desde as mais relaxadas a bordo de uma bicicleta "gelada" a outras mais pitorescas, como a de um grupo de jovens que, tombados em uma boia, são arrastados por um "quad" a toda velocidade.

Contudo, é de noite que Harbin exibe todo seu colorido no Mundo de Gelo e Neve, a mais popular das celebrações, que este ano celebra sua 20ª edição.

Ali, um edifício de 45 metros de altura, baseado no Burj Khalifa do Dubai, se impõe sobre uma superfície de mais de 600.000 metros quadrados, na qual não faltam algumas das construções mais ilustres que passaram pelo festival.

Para Wang Zheng e Zhao Jin Yuan, um casal vindo de Changchun, capital da província de Jilin, a mais impressionante de todas é o "Castelo do Amor", uma fortaleza de trinta metros na qual se destaca a sua cúpula iluminada.

Além dos monumentos gélidos - para os quais foram utilizados 110.000 metros cúbicos de gelo e outros 120.000 de neve -, este ano foram instaladas até 30 "áreas interativas", com seis escorregadores de gelo de 320 metros de comprimento que fazem a alegria dos mais pacientes que enfrentam filas intermináveis.

Além disso, o festival oferece soluções para combater o frio, com um grupo de animadores que, adornados com vistosos uniformes, são capazes de motivar mais de 200 chineses a dançar uma hilariante conga.

Devido à distância geográfica com Pequim e ao desconhecimento do festival fora da China, ainda é relativamente estranho deparar-se com estrangeiros por Harbin, embora para Mickey, uma estudante australiana, o lugar superou todas suas expectativas.

"Isto é completamente novo para mim. É incrível", afirmou a jovem à Efe.

Inaugurado em 5 de janeiro, o Festival de Gelo e Neve se prolongará até o início de março, quando a primavera se encarregará de derreter, paulatinamente, as centenas de figuras gélidas espalhadas por Harbin. EFE

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