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Zimbábue inicia 3 dias de greve geral contra alta do combustível

14/01/2019 11h08

Harare, 14 jan (EFE).- O Zimbábue começou nesta segunda-feira três dias de greve geral para protestar contra a alta do preço do combustível, que passou a custar o dobro, com uma jornada de manifestações onde já houve confrontos entre a polícia e os grevistas.

A greve foi convocada pelo Congresso de Sindicatos do Zimbábue (ZCTU) como resposta à crise econômica no país, agravada nos últimos meses, e pela decisão do presidente, Emmerson Mnangagwa, de dobrar o preço do combustível para acabar com as filas nos postos de gasolina.

Nos bairros de Epworth, Chitungwiza e Tafara da capital, Harare, os manifestantes bloquearam estradas com pedras e a polícia disparou gás lacrimogêneo para dispersá-los, informou a organização de direitos humanos Zimbabue Peace Project (ZPP).

Na segunda maior cidade do país, Bulawayo, os manifestantes viraram um carro de polícia no subúrbio de Pumula East, e tomaram as ruas do centro, segundo testemunhas citadas por veículos de imprensa locais.

Os economistas defendem que o aumento dos combustíveis faz sentido, embora possa provocar uma alta ainda maior dos preços dos produtos básicos.

No entanto, os principais sindicatos de comerciantes do país alegaram que esta decisão do governo será um duro golpe para trabalhadores e o zimbabuano médio.

"Estamos ganhando salários baixos e agora com o aumento do preço do combustível e os produtos básicos, vai tudo para pagar o transporte", explicou o secretário-geral do Congresso de Sindicatos do Zimbábue (ZCTU), Peter Mutasa, em um vídeo publicado nas redes sociais.

Enquanto a greve começa no Zimbábue, o presidente Mnangagwa iniciou hoje uma viagem pela Europa, com escalas em Rússia e Suíça, onde deve participar do Fórum Econômico Mundial de Davos.

Esta greve se soma aos protestos das últimas semanas de médicos e professores do setor público para pedir que o governo lhes pague em dólares - divisa adotada como moeda oficial desde 2009 - e não em letras de câmbio.

O governo insiste que o país não gera dólares suficientes para pagar todos os funcionários e que as letras de câmbio têm o mesmo valor.

As taxas do mercado negro, no entanto, mostram que a divisa do Zimbábue é trocada a um terço do valor de um dólar, uma desvalorização extraoficial que provocou uma alta de preços nas lojas.

O estoque de produtos básicos provocou grandes filas em supermercados, o pão passou a ser um alimento quase impossível de encontrar e o preço dos remédios disparou, enquanto a dívida interna do país supera os US$ 9 bilhões. EFE

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