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Produtores argentinos de frutas protestam para pedir medidas contra crise

23/04/2019 17h01

Buenos Aires, 23 abr (EFE).- Dezenas de produtores da região da Patagônia na Argentina doaram nesta terça-feira 35 toneladas de frutas na Praça de Maio, em frente à sede do governo do país, em Buenos Aires, para dar visibilidade à crise que o setor sofre e reivindicar a intervenção estatal, já que a produção tem passado por sérias dificuldades, entre custos e impostos.

"Hoje, um quilo de maçã está custando 6 pesos (R$ 0,84), e produzi-lo custa o dobro", disse à Agência Efe Mauricio Galeano, um dos produtores da província de Río Negro e que estava no ato batizado de "frutazo".

Os custos da produção, a pressão tributária e as retenções à exportação que o setor experimenta, de acordo com Galeano, fizeram com que hoje seja "impossível produzir", na delicada situação econômica do país, em recessão e com alta inflação.

Segundo o presidente da Federação de Produtores de Frutas das províncias de Río Negro e Neuquén, Sebastián Hernández, o Chile tem uma pressão tributária sobre os produtos primários de 2%.

"Na pera e na maçã, aqui, na Argentina, estamos falando de 32%. Assim é impossível concorrer até internacionalmente. É caro sair porque somos os mais caros do mundo para produzir", alegou.

"Pedimos ao Estado que intervenha e, de alguma forma, garanta que o produtor cubra os seus custos de produção, que a cadeia funcione e que, assim, receba o que lhe cabe e também possa acessar a comercialização direta, que vá do produtor ao consumidor", acrescentou.

Os produtores também pedem que o governo desenvolva um plano de saúde para que o produtor possa chegar à temporada 2020 com produtos de qualidade. A falta de uma renda adequada para os produtores provocou a falta de uma troca de geração à frente das plantações.

"A média de idade dos produtores é de 65 anos. São poucos os jovens que estão ficando na atividade", contou Hernandez.

Segundo ele, 15 anos atrás havia 9 mil produtores na região, e hoje são apenas 1.500.

Já Mauricio Galeano afirmou que os companheiros do ramo estão desistindo do plantio, pois os ganhos em outras atividades na província, como os na área de petróleo, valem mais a pena do que os de cultivar em um terreno próprio.

"Continuo por amor, porque o sítio onde estou foi do meu bisavô, do meu avô, então é uma questão de sentimento. É por isso que sigo na área", contou. EFE

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