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Sindicatos argentinos iniciam 2 dias de atos contra governo Macri

28/05/2019 18h10

Buenos Aires, 28 mai (EFE).- Os sindicatos da Argentina iniciaram nesta terça-feira 36 horas de mobilizações contra a política econômica do governo do presidente Mauricio Macri, que terão amanhã seu ponto principal com a convocação de uma greve geral de um dia impulsionada pela principal central operária do país.

Na véspera daquela que será a quinta greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) desde que Macri chegou ao poder, em dezembro de 2015, outras organizações sindicais - entre elas a Associação de Trabalhadores do Estado - começaram a cumprir a partir do meio-dia de hoje 36 horas de interrupções e mobilizações.

Por coincidência, as primeiras manifestações, que receberam a adesão de organizações gremiais, aconteceram na tarde desta terça em frente ao Congresso da Nação em Buenos Aires, e em praças de outras cidades do país, em apoio à apresentação do novo projeto de Lei pelo Aborto Legal, Seguro e Gratuito.

"No dia 28 vamos ao Congresso Nacional com a Campanha Nacional para apresentar o Projeto de Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez (IVE). No dia 29, greve geral e panelaços populares em todo o país!", anunciou a Central de Trabalhadores da Argentina-Autônoma (CTA-Autônoma).

Pela oitava vez em mais de uma década, diversas organizações, com o apoio de legisladores, apresentam na Câmara dos Deputados - com mobilizações em suas portas - o IVE, depois que em 2018, em meio a uma forte campanha de pressão social e política, os deputados o aprovaram, embora posteriormente tenha sido barrado pelo Senado.

O projeto para descriminalizar o aborto gera vozes a favor e contra em todas as legendas políticas, conservadoras ou de esquerda, e neste ano coincide com a proximidade das eleições presidenciais e legislativas de outubro, após um ano de recessão econômica, que começou pela abrupta desvalorização do peso e uma seca que afetou seriamente a produção agropecuária.

"Porque a deterioração da situação econômica e social se agrava dia a dia. Porque a inflação destrói o poder aquisitivo dos salários, as aposentadorias e as dotações sociais. Por um aumento do salário mínimo vital e móvel", declarou a CGT na convocação da greve de amanhã.

A economia caiu 2,5% no ano passado, afetada pela crise, e o desemprego escalou até 9,1% no final de 2018, ano no qual o governo se viu obrigado a solicitar ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que concedeu ao país um empréstimo de US$ 56 bilhões.

O enfraquecimento do peso, com ciclos de abruptas quedas em relação ao dólar, continua pressionando a inflação, que em abril chegou a 55,8% no período de 12 meses e acumulou 15,6% apenas no primeiro quadrimestre deste ano.

Nesse cenário, a central operária reiterou a necessidade de lutar contra o desemprego e a queda do consumo e da atividade econômica e ressalta que as tarifas dos serviços públicos são "impagáveis" para os setores mais vulneráveis. Além disso, denunciou que os sistemas de saúde pública e de obras sociais estão "à beira do colapso".

A medida de força desta quarta-feira paralisará o transporte público, tanto trens, ônibus e metrô como aviões nacionais e internacionais.

Além disso, o movimento deve ter a adesão dos bancos, da construção civil, da educação pública e privada e não haverá atividade em portos nem transporte marítimo, coleta de resíduos ou transporte de cargas com caminhões.

Embora a CGT tenha convocado a greve sem mobilização, outros sindicatos, como a CTA-Autônoma e setores de esquerda e organizações sociais realizarão cortes de ruas e estradas e atos em todo o país.

As greves gerais anteriores contra o governo de Macri foram realizadas em 6 de abril de 2017, 18 e 19 de dezembro desse mesmo ano, 25 de agosto de 2018 e 25 de setembro de 2018. EFE