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Agências de notícias destacam papel como guardiãs do rigor da informação

06/06/2019 11h15

São Petersburgo (Rússia), 6 jun (EFE).- Responsáveis de algumas das mais influentes agências internacionais de notícias destacaram nesta quinta-feira o papel destes veículos de imprensa como guardiães do jornalismo ético e rigoroso, durante um debate realizado no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo.

"A imensa maioria da população quer notícias sem viés", afirmou o presidente e CEO da agência americana Associated Press (AP), Gary Pruitt, durante um debate intitulado "Os veículos de imprensa são participantes ou observadores de conflitos globais?", organizado pela agência russa "TASS".

Além disso, Pruitt disse que através das redes sociais, a desinformação chega a um maior número de pessoas do que a verdade, mas mostrou confiança diante deste problema. "A resiliência dos fatos me faz ser otimista sobre o triunfo da verdade".

Segundo Pruitt, "o que está em jogo é muito, mas temos que dizer a verdade. Não se deve ceder à tentação (de desinformar), porque, uma vez que você entra nessa, fica preso".

O principal responsável da agência francesa "AFP", Fabrice Fries, disse que neste momento "o mais importante é informar sobre a verdade" e apostou em poder seguir apresentando testemunhas e lutar contra as notícias falsas.

"O primeiro requer, para este meio, diversificar as fontes e crescer, a fim de poder manter a rede global de jornalistas e colaboradores que informam no mundo todo", disse Fries.

Para lutar contra as notícias falsas, a AFP criou uma equipe de cerca de 40 especialistas de 25 países que verificam as informações, explicou o diretor da agência.

O diretor de Relações Internacionais da Agência Efe, José Manuel Sanz, avaliou que a sobrevivência das agências de notícias depende de sua credibilidade, "o que exige informação não partidária, fiel à verdade, com pegada local e baseada em um código ético forte e estrito".

Na sua opinião, o "jornalismo com letra maiúscula é mais necessário do que nunca, não é mera observação, mas colocado no contexto dos fatos, o que não implica ser parcial ou participante ativo em um conflito".

"Explicar os fatos é o mais importante", disse Sanz, ao mesmo tempo afirmando que "a informação veraz é a obsessão das agências, de maneira que elas se transformaram nas últimas guardiãs da informação rigorosa".

O diretor-geral da "TASS", Sergei Mikhailov, concordou que "é preciso voltar aos valores básicos no mundo da comunicação, o que obriga a informar com rigor".

"Quando falamos de notícias falsas, devemos nos perguntar o que significa 'fake news'. 'Fake news' é igual à 'mentira' e não devemos mentir", ressaltou Mikhailov.

O diretor da agência japonesa "Kyodo", Hiroki Sugita, observou que os dois pilares de um bom jornalismo são informar sobre os fatos e não sobre notícias "exageradas ou tendenciosas", e incluir nelas sempre o ponto de vista de todos os envolvidos.

A diretora-geral da agência estatal albanesa de notícias (ATA), Armela Krasniqi, considerou que os jornalistas não são "nem participantes e nem observadores na hora de informar sobre conflitos globais".

"Devem simplesmente relatar a verdade e o fato de que algumas agências não recebam financiamento de parte do Estado não implica que sua informação não possa ser tendenciosa, por sua vez, por interesses comerciais", concluiu Armela. EFE

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