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Reino Unido abrandará medidas contra coronavírus para reativar economia

3.jun.2020 - Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson - Chris J Ratcliffe / Getty Images
3.jun.2020 - Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson Imagem: Chris J Ratcliffe / Getty Images

23/06/2020 03h19

Londres, 22 jun (EFE).- O governo britânico está finalizando uma revisão para amenizar algumas das medidas impostas para evitar a propagação do novo coronavírus, como a distância considerada de segurança, com o objetivo de revitalizar a economia, fortemente abalada durante os meses de confinamento.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciará nesta terça, antes do Parlamento, a data de abertura dos bares e restaurante. Segundo a imprensa, esses locais poderão receber clientes a partir de 4 de julho.

Espera-se que, a partir desse momento, a distância de segurança seja reduzida para 1 metro, ao invés dos 2 metros atuais, como vem sendo pedido pelo setor de gastronomia.

O premiê avaliaria hoje, juntamente com o comitê de estratégia contra a Covid-19, as mudanças que entrarão em vigor a partir da reabertura de bares e restaurantes, que abaixou as portas em 23 de março, após o confinamento ter sido decretado.

Embora alguns desses negócios tenham conseguido operar sob serviços de entrega e retirada, eles pediram ao Governo para rever a exigência de manter uma distância de 2 metros, pois isso significaria que quando muitas instalações fossem reabertas, eles só poderiam operar com 30% da sua capacidade, o que para muitos seria inviável.

REVISÃO PODE ESTAR SUJEITA A MUDANÇAS.

O gabinete da Johnson ressaltou que o relaxamento dessa medida, que definirá a distância mínima a ser mantida no metrô nos moldes de países como França e China, será baseado em pareceres científicos e poderá estar sujeito a mudanças se for notado um novo surto.

Nas últimas 24 horas, o Reino Unido registrou 15 novas mortes pelo vírus, elevando o total desde o começo da pandemia para 42.647, embora algumas estimativas de especialistas coloquem esse número em mais de 53,5 mil.

Como disse hoje o secretário de Estado da Saúde, Matt Hancock, em entrevista coletiva, esses são os números desta segunda. Ou seja, leva-se em conta o atraso no registro de óbitos e de casos que ocorrem durante o fim de semana. "Todos os números diários estão diminuindo e indicam que o país está caminhando na direção certa e que a doença está indo embora", comentou.

Na útliam sexta-feira, o Reino Unido reduziu o alerta para Covid-19 do nível 4 para o 3, o que implica que o vírus SARS-CoV-2 continua circulando, mas o risco de contágio não é tão alto e não está aumentando exponencialmente.

A Organização Mundial da Saúde recomenda manter pelo menos 1 metro de distância de outras pessoas para reduzir as chances de infecção, mas alguns consultores científicos do governo britânico afirmaram que essa separação acarreta um risco até dez vezes maior do que manter os 2 metros.

O Partido Trabalhista pediu à Johnson que publicasse os resultados da revisão das medidas obrigatórias e vinculou seu apoio às novas regras à promoção de outros critérios, como ter que usar proteção facial, ter mais testes e melhorar o sistema de rastreamento de contágio.

O plano de saída gradual do confinamento, que inclui a abertura de negócios não essenciais e o retorno à atividade de setores como a construção e bares e restaurantes, está sendo implementado em velocidades diferentes pelos governos regionais, de modo que as decisões do governo britânico só são implementadas na Inglaterra.

FATURA DA PARALISAÇÃO DA ECONOMIA.

A desaceleração econômica de três meses causou uma contração de 20,4% do PIB do Reino Unido em abril, um declínio recorde, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas.

Há uma estimativa de que o país esteja caminhando para o pior trimestre (abril-junho) de declínio econômico de sua história. Isso porque tudo indica que o valor de maio pode estar igualmente baixo antes de uma ligeira alta em junho, devido à lenta saída gradual do confinamento.

Entre os setores mais afetados estão varejo, gastronomia e turismo, que têm apoiado a reivindicação de relaxar a distância de separação e a obrigatoriedade de quarentena e 14 dias para todos os passageiros que chegam ao Reino Unido, o que tem levado o grupo de companhias aéreas IAG, Ryanair e easyJet, a apresentar uma reclamação contra o governo.

Segundo o jornal "Financial Times", a Secretaria de Estado de Finanças britânico vem elaborando orçamentos a serem apresentados no último trimestre deste ano com base em planos para permitir que as empresas adiem o pagamento de impostos e cortes nos gastos públicos, a fim de gerar maior estímulo fiscal na economia.

O secretário de Estado da Economia, Rishi Sunak, consideraria reduções fiscais específicas como o imposto sobre o valor acrescentado para alguns setores, incluindo o turismo, devido à pressão do setor e às solicitações de vários deputados conservadores.