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França mantém quarentena de 10 dias a passageiros procedentes do Brasil

22/04/2021 19h57

Antonio Torres del Cerro.

Paris, 22 abr (EFE).- A França anunciou nesta quinta-feira a continuidade da cobrança de uma quarentena de 10 dias para que passageiros procedentes do Brasil possam entrar no país.

A medida, que visa evitar contágios por covid-19, foi informada pelo primeiro-ministro francês, Jean Castex, em uma entrevista coletiva da qual também participaram os ministros de Saúde, Olivier Véran; Educação, Jean-Michel Blanquer; e Interior, Gérald Darmanin.

Castex mostrou preocupação com a possível propagação de novas e agressivas variantes, especialmente a sul-africana e a brasileira, ainda minoritárias no país europeu.

Por isso, ele anunciou "um controle reforçado", a partir deste sábado, dos passageiros de voos procedentes de Brasil, Chile, Argentina, África do Sul e Índia - onde uma nova cepa foi detectada recentemente.

Por sua vez, Darmanin afirmou que os passageiros procedentes desses cinco países terão que apresentar um teste PCR negativo realizado no máximo 36 horas antes do embarque, e não 72, como antes. Além disso, na chegada à França, eles serão submetidos a um teste de antígeno, e todos precisarão cumprir a quarentena de dez dias, mesmo se os exames derem negativo.

A quarentena será monitorada pela polícia e a gendarmaria. Em caso de descumprimento, será aplicada uma multa de 1.000 a 1.600 euros.

FLEXIBILIZAÇÃO DE CONFINAMENTO NA FRANÇA A PARTIR DE MAIO.

Também na coletiva, o governo francês anunciou que iniciará em 3 de maio um roteiro "prudente e progressivo" para o país voltar à normalidade, flexibilizando aos poucos as medidas de confinamento adotadas há três semanas para evitar a propagação de casos de covid-19.

Esta é a terceira vez, desde o início da pandemia, que a França está em confinamento em escala nacional.

Castex deu praticamente por encerrada a terceira onda de uma pandemia que na França já causou 102.164 mortes (283 nas últimas 24 horas), infectou 5,4 milhões de pessoas (34.318 desde ontem) e saturou hospitais.

"Os últimos números parecem indicar que há sinais positivos. O número de pacientes na UTI atingiu uma estabilidade há alguns dias (...) Podemos esperar o início de uma queda (em internações) em poucos dias", disse.

Entretanto, o premiê advertiu que a variante britânica, mais contagiosa, retardou o declínio dos números diários de contágios em comparação com os registrados nos outros dois confinamentos, uma vez que sua queda é duas vezes mais lenta, situando-se em cerca de 30.000.

Castex disse que em 3 de maio terminará a limitação de deslocamentos para os cidadãos do país (até agora a 10 quilômetros de distância de casa) e confirmou o retorno às aulas dos 6,6 milhões de alunos da pré-escola e do ensino fundamental a partir da próxima segunda-feira. Para os demais níveis, a medida valerá a partir de 3 de maio.

Por enquanto, o toque de recolher, considerado um dos mais rigorosos da Europa, permanece em vigor a partir das 19h.

CAMPANHA DE VACINAÇÃO NO AUGE.

Na entrevista, Castex elogiou a campanha de imunização na França, onde 25% dos adultos já estão vacinados, e previu que cerca da metade da população estará imunizada até o final de junho, se os laboratórios cumprirem o cronograma de entrega de doses.

O primeiro-ministro ressaltou a eficácia da vacina da farmacêutica AstraZeneca, que foi posta em xeque pelos cidadãos franceses por causa de casos de trombose ligados à sua aplicação, o que levou países como a Dinamarca a suspendê-la.

"A (vacina da) AstraZeneca é tão eficaz quanto as de Pfizer e Moderna para casos graves", disse.

Neste sentido, o ministro da Saúde, Olivier Véran, tentou fazer um exercício de pedagogia no meio da coletiva, lendo em voz alta algumas perguntas sobre as vacinas que havia recebido de franceses e respondendo-as.

"Se você cruzar o Atlântico de avião, você tem até 50 vezes mais chances de sofrer uma trombose do que se receber uma vacina da AstraZeneca", enfatizou.