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BC: inflação baixa e previsível é melhor contribuição para crescimento econômico

Fabrício de Castro, Eduardo Rodrigues e Fernando Nakagawa

Brasília

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, avaliou nesta quinta-feira, 22, que uma inflação baixa e previsível é a melhor contribuição para o crescimento econômico. Ao comentar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado nesta data pelo BC, ele afirmou o cenário básico do Comitê de Política Monetária (Copom) contempla a estabilização da atividade econômica e uma recuperação gradual do PIB.

"As evidências sugerem a estabilização da economia, o que pode ser visto na produção industrial. O IBC-Br reflete a evolução de setores da economia, como a agropecuária e serviços, e as expectativas continuam apontando para crescimento gradual", analisou, lembrando que o uso da capacidade segue operando em patamares que indicam ociosidade na economia.

Viana comentou ainda que a projeção do PIB foi mantida em 0,5%, que, segundo ele, continua adequada. "Isso reflete de um lado a melhoria de alguns indicadores, mas, por outro lado, a conjuntura sugere aguardar a entrada de mais informações para vermos como a atividade se comporta", explicou.

O diretor citou ainda um boxe do RTI que mostra que o efeito da atividade agropecuária sobre outros setores da economia ocorre principalmente no primeiro trimestre do ano. "Os demais setores também se beneficiaram dessa safra favorável que tivemos neste ano", acrescentou.

Sobre o setor externo, Viana repetiu que o quadro para o balanço de pagamentos brasileiro em 2017 permanece bem favorável. Ele agregou que o desenvolvimento no cenário internacional tem sido positivo, com movimentos mais sincronizados de crescimento em países e blocos econômicos importantes. "Além disso, a inflação que vinha ocorrendo em níveis abaixo do desejado em várias dessas economias começa a apontar um retorno para patamares mais próximos de seus objetivos. As taxas de juros de longo prazo das economias emergentes têm comportamentos adequados e os preços das commodities voltaram para patamares mais favoráveis que há dois anos", completou.

Desinflação

Para o diretor do BC, há comportamento favorável dos preços, com desinflação difundida entre os diversos setores da economia. Ele lembrou que os resultados mais recentes do IPCA vieram abaixo do esperado. "Parte dessa queda da inflação tem a ver com o comportamento favorável dos preços dos alimentos, mas a desinflação é mais ampla que isso. Trata-se de um processo mais disseminado", afirmou. "A inflação de preços livres e a de preços administrados estão em níveis próximos, o que confirma essa desinflação mais disseminada", completou.

Comunicado condicional

Carlos Viana de Carvalho explicou que o tempo verbal no termo "deveria" foi usado no RTI para se referir a um tema decidido no passado. O tempo verbal, explicou, foi escolhido porque os diretores do BC relatam no Relatório de Inflação "o que o Comitê de Política Monetária decidiu na sua última reunião".

"Em função do cenário básico e do balanço de riscos avaliados em sua última reunião, o Copom entendeu que uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado naquela ocasião deveria se mostrar adequada em sua próxima reunião, em julho", cita o documento conhecido mais cedo.

Viana ressaltou que, após a afirmação, o relatório traz algumas considerações sobre a conjuntura mais recente. "Em nenhum momento nós nos comprometemos com decisões futuras", disse. O diretor destacou que o BC emite informações para tentar "dar balizamento, dar fatores que julgamos importantes para as decisões futuras". "Para que as pessoas possam projetar ou antecipar decisões futuras", disse.

Na mesma linha de afirmações anteriores, o diretor nota que o BC nunca tem predeterminação sobre a tomada da decisão seguinte. "É sempre condicional", afirmou.

Taxa estrutural

Viana defende que apenas a redução do juro estrutural vai permitir a queda sustentável e por prazos mais longos da taxa básica na economia brasileira. Essa referência, explicou, não é constante.

Segundo o diretor, o juro estrutural não é algo que só se vivencia no longo prazo. "O juro estrutural se mexe ao longo do tempo e vai mudar em função de reformas, de fatores demográficos. A cada momento do tempo, você pode ter um ponto neutro", disse.

O diretor do BC notou, porém, que o juro básico da economia não depende só dessa referência. "Você tem que mudar essa taxa estrutural ao longo do tempo e levar em conta a conjuntura ao longo do tempo. A taxa estrutural não é um gabarito para você levar a taxa ao longo do tempo."

Viana explicou que a taxa é importante porque é um nível médio onde a taxa de juro daquela economia vai acabar flutuando ao longo do tempo". "Como há desejo da sociedade e do próprio BC de que a gente consiga ter juros mais baixos ao longo do tempo e de forma sustentável, isso só vai ser possível se a taxa estrutural cair". "Nenhum banco central consegue fazer mágica; não dá para desviar da taxa neutra", disse.

Ritmo

O diretor de Política Econômica do Banco Central avaliou que, quanto mais o ciclo de corte na Selic chega perto do fim, menos é o espaço do Copom para calibrar o ritmo da política monetária. "No início do ciclo há mais espaço, então há mais flexibilidade para adaptar o ritmo da política monetária. Não há 'regra de ouro' que obrigue a desacelerar o ritmo de cortes da Selic perto do final do ciclo. É normal que isso ocorra, mas não há essa obrigação", respondeu.

Ele lembrou que no dia 18 de maio os preços nos mercados chegaram a refletir 0,50 ponto porcentual de corte na reunião do Copom fim do mês passado. "Essa expectativa de corte de 0,50 pp nos preços nos parecia reação exagerada à conjuntura política", completou. No fim de maio, o Copom anunciou um novo corte de 1 ponto porcentual na Selic, para 10,25% ao ano.

Peso de 2018

O diretor de Política Econômica do Banco Central reconheceu que o peso do ano de 2018 cresce no horizonte de análise da autoridade monetária. "De fato, o horizonte é maior e cobre 2018 e, com peso menor, 2019. O tempo vai passando e a capacidade de afetar horizontes mais curtos vai se reduzindo", disse. Viana notou que essa mudança dinâmica do horizonte é levada em conta pelo Copom e essa movimentação gradual é comunicada ao mercado.

Ele disse que a data de corte do documento é 14 de junho. "Não temos nenhum acontecimento posterior refletido no Relatório de Inflação", comentou.

Sobre eventual piora do cenário com aumento da incerteza desde a data de corte, o diretor explicou que a incerteza importa para o BC pelos efeitos gerados sobre a economia "Na atividade, tem efeito desinflacionário e o outro canal é pela formação de preço, que tem impacto na taxa de juros estrutural", disse. "É possível que esses efeitos se compensem e até se anulem. Temos de olhar ao longo do tempo para ver como isso evolui."

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