'Eleição não muda planos da Cargill', diz Pretti
A gigante global de commodities agrícolas vê espaço para expansão em infraestrutura portuária e ferroviária. Em ferrovia, por exemplo, a múlti aguarda as definições de investidores para o projeto da Ferrogrão, que já teve audiência pública e está sendo conduzido pelo consórcio da EDLP - projeto que pode receber mais de R$ 12 bilhões em aportes.
Uma das maiores exportadoras do País, a companhia registrou no ano passado receita líquida de R$ 35 bilhões, aumento de 6% sobre o ano anterior. O lucro líquido ficou em R$ 593 milhões, recuo de 16% sobre 2016. A queda do resultado, segundo o executivo, reflete justamente os gargalos da agricultura da "porteira para fora".
"O País teve uma safra agrícola excepcional em 2017, com o agronegócio respondendo por quase 25% do PIB nacional. Mas o problema é o escoamento dessa produção. Os cerca de 90 quilômetros sem asfalto da BR 163 trazem um problema para as tradings que escoam pelo Arco Norte do País", diz.
Com 22 fábricas, sobretudo para esmagamento de grãos e presença em seis portos, a multinacional deverá fazer mais aportes em barcaças este ano, uma aposta clara em hidrovia como opção aos caminhões. Em 2017, uma parte dos investimentos da companhia foi para a aquisição de 20 barcaças que saem pela rota fluvial no rio Tapajós para evitar a BR 163. Outros cerca de R$ 100 milhões deverão ser colocados no Terminal de Exportador de Santos (TES), da qual possui 40% em uma parceria com a concorrente Dreyfus.
Os investimentos como um todo do grupo, no ano passado, ficaram em R$ 793 milhões, valor maior que o previsto inicialmente. "Nos últimos sete anos, a Cargill colocou US$ 1,5 bilhão no País. Quando se fala em Brasil, tem de pensar no longo prazo."
Segundo Pretti, os acionistas da companhia tentam entender este momento de incertezas no Brasil. "Nós acreditamos nas instituições do País. Não há preocupação, a não ser que mudem as regras do jogo. Sob o ponto de vista macroeconômico, o mercado externo está sendo muito generoso com o Brasil."
Açúcar e etanol
Com a decisão de adquirir 100% do controle da Cevasa, unidade sucroalcooleira que tinha em sociedade com a Canagril, que reúne fornecedores de cana, a múlti vai manter essa divisão negócios por pelo menos dois anos. Ao lado de concorrentes globais, como ADM, Bunge e Dreyfus, a Cargill também entrou na produção de açúcar e etanol, mas não foi tão bem-sucedida. A grande aposta da companhia é na parceria com o grupo SJC para a produção de etanol a partir do milho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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