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Crise da Itália evidencia necessidade de reformas na zona do euro, diz OCDE

Paris

30/05/2018 07h29

O recente salto visto nos custos de financiamento da Itália, como resultado da crise política que se desenrola em Roma, é um alerta para governos da zona do euro que continuam adiando a implementação de reformas econômicas, segundo avaliação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em relatório trimestral de perspectiva econômica divulgado hoje, a OCDE também ressaltou que os governos assumiram o papel dos bancos centrais como principais fornecedores de estímulos econômicos, mas que alguns estão sujeitos a superaquecer suas economias, impulsionando a inflação e taxas de juros.

A OCDE fez poucas mudanças em suas projeções econômicas, que haviam sido atualizadas pela última vez no começo de março, apesar da fraqueza inesperada observada na Europa, no Japão e em outras partes do mundo durante os primeiros três meses do ano. A entidade continua prevendo que a economia global terá crescimento próximo de 4% em 2018 e em 2019, o que seria um desempenho melhor dos que nos últimos anos e em linha com que o era considerado normal antes do início da crise financeira global.

No entanto, um eventual ressurgimento da crise da dívida dos governos da zona do euro prejudicaria o crescimento global, uma ameaça que se tornou mais palpável com a crise política da Itália, que causou um violento movimento de vendas de bônus emitidos por governos do sul da Europa. Álvaro Pereira, economista-chefe interino da OCDE, destacou que a crise deve servir de lembrete para todos os governos da zona do euro de que o bloco precisa acelerar os esforços para corrigir suas deficiências.

"O tempo está passando, mas as reformas na Europa não estão acontecendo", disse Pereira, que ajudou Portugal a superar seus problemas como autoridade do governo local entre 2011 e 2013. "Temos uma pequena janela de oportunidade, antes que ocorra um problema potencialmente grande", acrescentou.

Nos últimos dias, o custo de financiamento da Itália disparou, em reação à decisão do presidente Sergio Mattarella de bloquear uma coalizão governista formada por partidos eurocéticos.

Em entrevista ao The Wall Street Journal, Pereira disse que as reformas prioritárias na zona do euro são a conclusão da união do setor bancário e dos mercados de capitais, assim como um "mecanismo de solidariedade para garantir proteção contra choques" econômicos.

Pereira também comentou que os bancos centrais estão sendo suplantados pelos governos, que vêm elevando gastos e cortando juros. "Podemos dizer que a política fiscal é a nova tendência do momento." Mas os estímulos fiscais também têm riscos, especialmente em economias como os EUA, que vêm crescendo há muito tempo e exibem baixas taxas de desemprego.

"Para alguns países, esse estímulo está vindo tarde no ciclo e pode ampliar pressões inflacionárias", ponderou Pereira. "Bancos centrais podem ser forçados a reagir, aumentando juros em ritmo mais rápido do que o esperado." Fonte: Dow Jones Newswires.

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