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Um terço dos trilhos está abandonado

Ueslei Marcelino/Reuters
Trecho da ferrovia Transnordestina coberto por vegetação Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

André Borges

Brasília

07/06/2018 11h25

O Brasil não usa quase um terço de seus trilhos ferroviários, além de deixar apodrecer boa parte da pouca estrutura que possui nessa área. Os dados da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) apontam que, dos 28.218 quilômetros da malha ferroviária, 8.600 km --o equivalente a 31%-- estão completamente abandonados.

Desse volume inutilizado, 6.500 km estão deteriorados, ou seja, são trilhos que não poderiam ser usados, mesmo que as empresas quisessem.

Os números chamam atenção, especialmente depois que a greve dos caminhoneiros expôs a dependência do país em relação ao transporte rodoviário.

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Os dados da ANTT foram reunidos em um estudo feito pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que faz um retrato atual da operação da malha ferroviária brasileira.

"É um sistema com deficiências, com destaque para o desempenho insatisfatório das concessionárias, ausência de concorrência no mercado e as dificuldades de interconexão das malhas", afirma a instituição no trabalho "Transporte ferroviário: colocando a competitividade nos trilhos", divulgado nesta quinta-feira (7).

Estudo será entregue a presidenciáveis

O material, que integra uma série de 43 documentos sobre temas estratégicos que a CNI entregará aos candidatos à Presidência da República, detalha propostas para a melhoria do setor ferroviário.

"O governo está em vias de decidir sobre a prorrogação antecipada dos contratos de concessão ferroviária. Essa antecipação é uma oportunidade para corrigir erros cometidos nos ano 90, incluindo novos investimentos nos contratos e incorporando o compartilhamento das malhas", diz Matheus de Castro, especialista em políticas e indústria da CNI.

Dos 20 mil km de malha que são usados no país, cerca de metade tem uso mais intenso. Cerca de 10 mil km têm baixa utilização. As limitações também estão atreladas ao perfil do que efetivamente é transportado pelos trilhos brasileiros.

As commodities agrícolas, por exemplo, são raridade no setor, apesar de a região Centro-Oeste ser a maior produtora de grãos em todo o mundo.

Ferrovias só para transporte de ferro

Até 2001, cerca de 60% do que circulava pelos vagões de trens no Brasil era minério de ferro. Hoje, esse volume chega a 77%, porcentual puxado pela Estrada de Ferro Carajás, na região Norte, e pela Vitória-Minas, no Sudeste, ambas controladas pela mineradora Vale.

"O Brasil fez uma opção rodoviarista na década de 60. A rodovia é um modal eficiente, mas quando se pensa em curtas e médias distâncias. As ferrovias, que demandam mais tempo de maturação e investimento, acabaram ficando para trás", diz Castro.

Atualmente, as estradas brasileiras respondem por 63% do transporte nacional de cargas em geral, enquanto as ferrovias são responsáveis por apenas 21% desse volume, seguidas pelas hidrovias (13%) e pelo setor aeroviário e de estruturas de dutos (3%).

"Os atuais investimentos do governo no setor de transportes refletem a política para o setor. No ano passado, as ferrovias ficaram com apenas 6,5% dos investimentos públicos do governo no setor logístico, enquanto as rodovias receberam 85% do total investido." As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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