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Previsão do aumento de carga em fevereiro se deve à base de comparação, diz ONS

Denise Luna

Rio

28/01/2019 13h36

O diretor geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Barata, explicou que a elevada projeção para o nível de carga de energia elétrica em fevereiro - aumento de 7% no Sistema Interligado Nacional (SIN) e de 9% no subsistema Sudeste/Centro-Oeste - se deve à base deprimida de comparação, já que o Carnaval em 2018 caiu em fevereiro, enquanto neste ano será em março. "O País reduz muita a carga de energia durante o Carnaval. Já em março, quando comparar com março do ano passado, vai ter estabilidade ou queda", disse ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) nesta segunda-feira, 28.

Apesar do aumento da temperatura e o maior uso do ar condicionado ter provocado quatro recordes consecutivos de carga de energia pelo ONS, Barata afasta qualquer risco de abastecimento no País, mesmo que haja crescimento econômico. "A surpresa foi o aumento da demanda que não acontece desde 2014, e isso se deveu ao aumento de temperatura no País inteiro. O recorde de energia sempre tem acontecido, porque tem aumento progressivo do consumo", explicou. O ONS utiliza o sistema Cemeaden (Centro Nacional de Monitoramento de Alertas para Desastres Naturais) para acompanhar o clima.

Barata ressaltou que o aumento da demanda ocorreu em um momento em que o SIN passava por uma série de adversidades, "e mesmo assim não tivemos falta de energia elétrica".

"No dia 12 de janeiro, devido a atos terroristas foi derrubada uma linha de (de transmissão) de 500 Kv no Ceará (Fortaleza-Pecém), depois nós tivemos a saída do elo contínuo de Belo Monte (Xingu-Estreito), provocada por vento em Goiás; a saída de uma linha de 500 Kv na Bahia, por roubo de material; e nós estávamos com o Pólo 1 do Madeira fora por um problema que ainda está em avaliação do fabricante, isso só na primeira semana, quando tivemos dois recordes batidos", informou Barata.

Ele informou que na segunda semana a usina nuclear Angra 2 foi desconectada do SIN, um segundo Pólo das usinas hidrelétricas do rio Madeira (Jirau e Santo Antonio), por problemas no transformador. "E foi nessas condições, num sistema muito prejudicado que nós tivemos os recordes da semana passada, aí nós usamos o acordo de emergência que temos com Argentina e Uruguai e exclusivamente na hora da ponta nós puxamos", disse o executivo.

Barata explicou que apesar de importar regularmente energia do Uruguai, naquela semana o preço estava alto e o ONS utilizou o Acordo de Reciprocidade entre os dois países, que não envolve recursos, "é um sistema de débito e crédito de energia, pagamos em energia e recebemos em energia", explicou.

Para esta semana, Barata diz que as condições melhoraram um pouco, porque Angra 2 e o bipolo Xingu-Estreito voltaram ao sistema, as linhas d 500 Kv tinham voltado há mais tempo e a previsão é de temperaturas menores. "Não vislumbramos problemas esta semana", afirmou.

Ele lembrou que o Brasil teve em 2018 um ambiente muito adverso do ponto de vista de chuvas, mas em outubro houve melhora considerável percebida pelos institutos de clima. "As chuvas vieram mais cedo em outubro e se confirmou em novembro. Em dezembro o quadro alterou-se, janeiro muito seco e começo de fevereiro também seco. O início vai ser seco, mas não sabemos o que virá depois", concluiu.