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Fipe reduz projeção para IPC de setembro para 0,02% e não descartaria queda

Thaís Barcellos

São Paulo

25/09/2019 13h28

O grupo Alimentação surpreendeu com uma queda mais forte do que o esperado por mais uma quadrissemana no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), destaca o coordenador Guilherme Moreira. Assim, houve redução mais uma vez da previsão para o mês, de 0,12% para 0,02%. Na terceira quadrissemana, o IPC desacelerou de 0,13% para 0,03%. Em agosto, o índice fora de 0,33%.

Essa é a terceira revisão para baixo da Fipe no mês, todos motivados pelo comportamento surpreendente de Alimentação. A instituição começou o mês prevendo alta de 0,30%, depois reduziu para 0,25%, após a primeira quadrissemana, e para 0,12%, na segunda leitura. Por fim, chegou a 0,02%.

"E não me surpreenderia com deflação. Qualquer queda adicional de alimentação, que vem ocorrendo toda semana, já levaria o índice para o terreno negativo. Na verdade, é zero. E, se tirasse o efeito dos preços administrados, seria uma queda forte", diz, referindo-se à única pressão no índice, de energia elétrica. Na terceira medição, o item exerceu impacto de 0,15 ponto porcentual sobre o IPC, mesmo desacelerando de 5,02% para 4,46%, com o fim dos efeitos da adoção da bandeira vermelha 1.

Na terceira quadrissemana, a Fipe estimava queda de 0,56% para o grupo, depois de 0,54% na segunda medição, mas o segmento caiu 0,90%. Agora, a previsão para Alimentação é de recuo de 0,97%.

Todas as cinco maiores influências de baixa no índice são alimentos: tomate (-22,34% para -22,45%), frutas de época (-7,85% para -9,10%), mamão (-11,68% para -16,07%), frango (-2,16% e alface (-5,83% para -6,42%). E Moreira acrescenta que as pontas (pesquisas mais recentes) apontam para continuidade da deflação desses itens.

O coordenador do índice ainda destaca que, no ano, o IPC acumula alta de apenas 2,56%. "No final do mês, devemos reduzir a projeção para o ano, atualmente em 4,0%. É impressionante. Temos a menor Selic da história, com também os menores índices de inflação da história. E o mais impressionante é que tem pouquíssima reação da atividade econômica, que segura a inflação baixa e o repasse cambial."

Segundo Moreira, não há nenhum sinal de repasse da depreciação cambial na inflação. A gasolina, por exemplo, continua em queda e mostra estabilidade na ponta (0,01%). A relação entre os preços de etanol e gasolina subiu de 63,59% para 55,46%, mas continua favorável ao consumo do biocombustível.