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Desemprego nos Estados Unidos atinge 22 milhões

Washington

17/04/2020 07h05

A pandemia do novo coronavírus tem deixado um passivo preocupante para a administração do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos. Nas últimas cinco semanas, o país registrou 22 milhões de pessoas sem emprego, representando 13,5% da força de trabalho. Segundo o The New York Times, trata-se do mesmo número de empregos criados após a crise financeira de 2008.

O Departamento de Comércio apontou uma queda mensal nas vendas do varejo não vista nos últimos 30 anos, acrescentando que o declínio da produção industrial só é comparada ao período após a Segunda Guerra Mundial. "Não há para onde fugir. Esta é a recessão mais rápida, profunda e ampla que já vimos", disse Diane Swonk, economista-chefe da consultoria financeira Grant Thornton, em Chicago, à publicação.

Trump anunciaria na quinta-feira, 16, novas diretrizes para reativar a economia do país após isolamento de um mês em reação à pandemia, apesar dos temores de especialistas de saúde, governadores e líderes empresariais sobre uma ressurgência de casos sem mais exames e protocolos em vigor.

As medidas para conter a pandemia levaram a economia do país a níveis que não eram vistos desde a Grande Depressão, em 1929, já que um recorde de mais de 20 milhões de americanos solicitaram auxílio-desemprego. Só na semana passada foram 5,2 milhões, o que elevou o índice de desemprego dos EUA a 8,2%. Os números de desemprego pressionam ainda mais Trump, que apostou sua reeleição em novembro na força da economia americana.

Na quarta-feira, ele disse que dados levavam a crer que os casos novos da covid-19 atingiram o pico e que líderes industriais que participaram de uma rodada de telefonemas lhe ofereceram boas perspectivas para reativar a economia com segurança. Mas o chefe de um grande sindicato alertou o presidente a não reabrir a menos que a segurança dos trabalhadores possa ser garantida, e executivos-chefes de algumas das maiores empresas do país disseram a Trump que mais exames são necessários para garantir a segurança, de acordo com diversas reportagens da mídia. "Estamos em uma boa situação, e posso lhes garantir que a diretriz a ser apresentada hoje (quinta-feira) está alinhada com o que os especialistas estão dizendo, está alinhada com o que os dados estão mostrando e é um plano para recolocar a economia nos eixos", disse na quinta-feira a porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, à rede Fox News.

Mercado

Na expectativa pela retomada das atividades no país, as Bolsas ganharam força no fim dos negócios, depois de operar com volatilidade durante o pregão. O índice Dow Jones fechou em alta de 0,56%; o S&P 500, 0,14%; e a bolsa eletrônica Nasdaq, avançou de 1,66%.

Vários dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano)) se pronunciaram durante o dia, em geral mostrando cautela com o quadro atual, mas também expectativa de melhora adiante. Os juros dos Treasuries não traçaram direção única e o dólar voltou a se fortalecer, no que para alguns analistas é uma mostra das dúvidas sobre a recuperação. Entre as commodities, o petróleo WTI fechou estável e o Brent subiu modestamente, com os contratos mantendo o nível bastante fraco atual, diante da forte queda na demanda referendada mais cedo em relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Após as notícias vindas também da Europa sobre preparativos para uma estratégia de retomada econômica em Alemanha, Itália e Espanha, entre outras nações, o presidente americano tem procurado passar uma mensagem otimista.

A agência de classificação de risco Standard & Poor's previu na quinta que o Produto Interno Bruto (PIB) americano recuará 5,3% neste ano, projetando um recuo anualizado "histórico" de quase 35% no segundo trimestre e dizendo esperar que a reabertura "ao menos parcial" ocorra no terceiro trimestre.

O BBH comenta em relatório que não há uma política nacional uniforme para restrições nos EUA, com governadores e autoridades locais tendo um papel para definir a severidade das medidas de distanciamento físico. O governo Trump tem aventado 1º de maio como uma data possível, "mas nada está confirmado", diz o banco, lembrando também a divergência entre Trump e alguns governadores sobre o tema.

A IHS Markit, por sua vez, acredita que na América Latina existe "alto risco" de compras por pânico degenerarem em saques, dizendo que pode haver alguns confrontos entre as forças de segurança e moradores que se recusam a seguir as diretrizes para conter a disseminação da doença. O Rabobank afirma que "claramente, quarentenas destroem a economia", mas aponta para alguns fatores a se considerar, como o de que a volta ao normal não virá de uma vez e que, se esse processo não for feito corretamente, haverá uma nova onda de infectados.

Entre os dirigentes do Fed, Raphael Bostic (Atlanta) disse que, enquanto as pessoas tiverem medo de pegar a doença, a economia não voltará ao normal. John Williams (Nova York), por sua vez, comentou que os estresses nos mercados financeiros não devem terminar até que a pandemia "esteja superada", enquanto Patrick Harker (Filadélfia) previu que a retomada não será repentina e disse que a política monetária deve continuar acomodatícia "por bastante tempo". / GABRIEL BUENO DA COSTA E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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