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Petróleo já foi principal algoz da inflação em 2021, diz Banco Central

Petróleo já foi principal algoz da inflação em 2021, diz Banco Central em Relatório Trimestral de Inflação - Sergei Karpukhin/Reuters
Petróleo já foi principal algoz da inflação em 2021, diz Banco Central em Relatório Trimestral de Inflação Imagem: Sergei Karpukhin/Reuters

Eduardo Rodrigues e Célia Froufe

Brasília

24/03/2022 10h44Atualizada em 24/03/2022 12h02

O Banco Central confirmou nesta quinta-feira, 23, que o maior impacto para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 10,06% no ano passado, que ficou 6,31 ponto porcentual (pp) acima da meta de 3,75% - superando o teto de 5,25% em 4,81 pp - foi da "inflação importada".

Esse item do estudo apresentado em um box do Relatório Trimestral de Inflação teve contribuição de 4,38 pp no desvio da meta, praticamente todo o montante que superou o limite superior do objetivo perseguido pelo BC. Muito de sua composição está ligada aos preços das commodities, em especial do petróleo no mercado internacional.

"O principal fator responsável foram as variações dos preços das commodities, medidos pelo Índice de Commodities - Brasil (IC-Br) em dólares e pela cotação de petróleo, que apresentaram contribuições respectivamente de 0,71 pp e 2,95 pp para o desvio da inflação", explicou o documento. O estudo da decomposição da inflação destacou que tanto o IC-Br quanto o preço do petróleo, após apresentarem queda no primeiro trimestre de 2020, tiveram elevação ao longo dos períodos seguintes. Vale lembrar que parte do IC-Br também é composta pelos valores da commodity.

A inércia do ano anterior contribuiu para a inflação ficar acima da meta em 1,21 pp principalmente em função da aceleração da inflação no último trimestre de 2020. As expectativas de inflação tiveram contribuição de 0,25 pp, ficando acima da meta a partir de março de 2021. Já a taxa de câmbio apresentou oscilação ao longo do ano, com depreciação no primeiro, terceiro e quarto trimestres, e apreciação no segundo. Considerando o ano completo, a variação cambial contribuiu com 0,44 pp para o desvio da inflação em relação à meta.

O hiato do produto, por sua vez, foi o fator que apresentou a principal contribuição negativa para o desvio da inflação em relação à meta, com participação de -1,21 pp. O BC destacou, porém, que o hiato é uma variável sujeita a elevada incerteza na sua mensuração e que no ano passado contou com o fechamento de atividades por causa da pandemia, seguido pelo avanço da campanha de vacinação e o processo de normalização da atividade econômica iniciado no segundo semestre de 2020.

As bandeiras tarifárias de energia elétrica contribuíram com 0,67 pp para o desvio da inflação em relação à meta, refletindo o fraco regime de chuvas, que levou ao acionamento de termoelétricas e de outras fontes de energia de custo mais elevado. Os demais fatores apresentaram uma contribuição de 1,02 pp para o desvio da inflação em relação à meta em 2021.

Para esse componente, contribuíram alguns fatores específicos, como o modelo de preços de medicamentos (contribuição de 0,13 pp), o Índice de Valor das Despesas Assistenciais (IVDA) dos planos de saúde privados (0,08 pp) e o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que é utilizado como indexador de alguns itens de preços administrados (0,34 pp).

"Ressalta-se que, a partir do final de 2020, iniciou-se expressiva elevação dos preços de bens industriais, cuja inflação atingiu 12,00% em 2021, refletindo problemas logísticos e desequilíbrios entre oferta e demanda globais." Os choques sobre os preços industriais contribuíram com 1,77 pp para a inflação de 2021.