Haddad diz que Receita tem sido muito conservadora na projeção de receitas recorrentes

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou nesta quinta-feira, 31, que o governo buscou ser "muito fiel" ao que as áreas técnicas da Receita e do Tesouro recomendaram na elaboração da peça orçamentária. O ministro ponderou que a Receita tem sido muito conservadora na projeção de receitas ordinárias recorrentes, e manteve esse comportamento nas projeções para 2024.

Ao falar da necessidade de aumento de arrecadação para alcançar o déficit zero no próximo ano, Haddad observou que, nos parâmetros usados pela equipe econômica, há uma discrepância grande entre os índices do IGP e do IPCA. "IGP tem peso grande na estimativa de receita e está com forte deflação este ano", pontuou o ministro, lembrando, por sua vez, que pelo lado das despesas, é a inflação oficial que pesa. "A política não põe a mão. Foi feito por técnicos na Receita, que enviam para o Tesouro e depois para a Secretaria de Orçamento", disse.

A diferença entre o IGP e o IPCA forçou o governo a antecipar o envio de medidas arrecadatórias para este ano, apontou Haddad, após ser questionado sobre o valor de R$ 168 bilhões do pacote para aumentar o fluxo de receitas. "Nos obrigou a tomar medidas que talvez só endereçaríamos no próximo ano. Estou dizendo que algumas medidas que estávamos escalonando para antecipar", disse o ministro.

Ele ponderou que, se a receita "surpreender" em razão da queda de juros, esse cenário pode ser revisto.