Ibovespa sobe 1,69% e retoma os 115 mil pontos, antes do Copom

Desde cedo, bem antes da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), o Ibovespa já andava à frente dos índices de ações de Nova York, retomando nos melhores momentos do dia a linha dos 115 mil pontos, não vista em fechamento desde 17 de outubro, mês em que o índice da B3 acumulou perda de quase 3%.

Nesta primeira sessão de novembro, o Ibovespa operou em alta desde a abertura, aos 113.156,70 pontos, e, ao fim, mostrava avanço de 1,69%, aos 115.052,96 pontos, nesta véspera de feriado para a B3, mas não para os mercados do exterior. O giro foi a R$ 25,1 bilhões nesta quarta-feira.

No ano, com o desempenho desta quarta-feira, o índice da Bolsa avança 4,85% e, na semana, vira ao positivo (+1,55%). Em porcentual, o ganho no fechamento foi o maior desde 26 de outubro (1,73%).

No meio da tarde, com a decisão do Fed em linha com o esperado, o Ibovespa chegou aos 115.164,12 pontos, então na máxima do dia, em alta de 1,79%, saltando mais uma vez à frente das variações vistas em Nova York no mesmo horário. Mais tarde, depois da conclusão da entrevista coletiva do presidente do BC norte-americano, Jerome Powell, o índice levou o pico do dia a 115.433,25 pontos, em alta de 2,02%, acompanhando melhora em Nova York, especialmente do S&P 500 e do Nasdaq, então nas máximas do dia, assim como em menor medida também o Dow Jones.

Powell reconheceu que o forte avanço dos rendimentos dos Treasuries longos pode influenciar as futuras decisões sobre juros nos Estados Unidos. "As condições financeiras tornaram-se significativamente mais restritivas nos últimos meses, impulsionadas por rendimentos mais elevados nos Treasuries de longo prazo", disse o presidente do Fed, na coletiva. "Mudanças persistentes nas condições financeiras podem ter implicações na trajetória da política monetária", acrescentou.

Ele observou também que o gráfico de pontos é uma figura do tempo e que a indicação de mais elevação de juros este ano não é uma promessa. O BC dos Estados Unidos está atuando com "cautela", reforçou Powell.

Na B3, as ações de primeira linha mantiveram sinal positivo ao longo do dia. Petrobras ON e PN fecharam a sessão, respectivamente, em alta de 1,16% e 1,09%; Vale ON subiu 1,91% e os ganhos, entre os grandes bancos, chegaram a 1,42%, para Itaú, no encerramento. Na ponta do Ibovespa, destaque para Locaweb (+10,29%), CVC (+8,73%) e Carrefour Brasil (+7,80%). No lado oposto, RaiaDrogasil (-3,76%), Pão de Açúcar (-1,66%) e Natura (-1,33%).

"Conforme esperado, o Fed manteve a taxa de juros entre 5,25% e 5,50% ao ano. O Comitê manteve também a cautela e aguarda novos dados para a tomada de decisão", observa em nota Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. "No comunicado, ressaltou que a atividade econômica cresceu em ritmo forte no terceiro trimestre; a criação de empregos desacelerou desde o início do ano, mas continua forte; a taxa de desemprego segue baixa e a inflação se mantém elevada", enumera o economista, acrescentando que o Fed "segue bastante atento aos riscos inflacionários."

Com a decisão desta quarta-feira, os juros de referência nos Estados Unidos permanecem no maior nível em 22 anos, aponta o economista-chefe da Nomad, Danilo Igliori. "O comunicado divulgado após a reunião não surpreendeu, deixando em aberto o que virá na sequência ao enfatizar que os próximos movimentos dependerão da evolução dos dados econômicos, particularmente com relação à inflação, atividade econômica, expectativas e contexto internacional", acrescenta.

Com relação à entrevista coletiva do presidente do Fed após a decisão de política monetária, André Leite, CIO da TAG Investimentos, destaca que "a sensação geral é de que ele se esforçou muito para manter o tom 'hawk.'" "Powell citou que a inflação está baixando, porém, longe da meta, e que o mercado de trabalho e o PIB ainda não deram mostras de acomodação", acrescenta Leite, que avalia que o presidente do BC americano, na coletiva, não mostrou confiança de que os juros, no nível em que já estão, conduzirão a inflação à meta de 2%.

"Irão avaliar reunião a reunião. O mercado estava no modo 'acabaram as altas' de juros nos EUA após declarações recentes de membros do Fed, mas Powell se esforçou para colocar, de volta à mesa, a chance de um aumento de taxa", observa.

Passado o Fed, os investidores voltam a atenção à decisão de política monetária do Copom, do qual a expectativa é novo corte de meio ponto porcentual na Selic, e sinais, no comunicado, sobre os próximos passos do colegiado, que tem ainda outra reunião pela frente no ano, em dezembro, assim como o Fed. "Nossa projeção é de que o ciclo de queda da Selic seja finalizado no primeiro semestre de 2024, no patamar de 10% ao ano", diz Vanessa Naissinger, analista da Rico Investimentos, casa que, em linha com o consenso, aguarda redução da taxa básica de juros a 12,25% ao ano no período da noite.

"Mantemos a estimativa de queda da Selic em 0,50 ponto porcentual no Copom desta quarta-feira, mas estamos monitorando se será possível conservar esse ritmo na reunião de dezembro", observa Nicola Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), mencionando fatores de risco como a guerra entre Israel e Hamas, bem como a recente escalada nos rendimentos dos Treasuries, que podem afetar o nível terminal da Selic ao fim de 2024, com possibilidade de uma pausa, no primeiro semestre do próximo ano, no processo de corte da taxa de juros.

Para o comunicado do Copom no período da noite, o mercado estará atento à avaliação do BC sobre o "balanço de riscos para a inflação", aponta Marianna Costa, economista-chefe do TC. "O colegiado deve ponderar dados mais fracos sobre a atividade econômica doméstica e, em particular, uma política fiscal menos restritiva do que o aguardado anteriormente, assim como o aumento de risco no cenário externo, tanto pelo lado geopolítico como pela alta das taxas de juros dos títulos da dívida dos Estados Unidos", avalia a economista, em nota.

Pela manhã, a divulgação da produção industrial de setembro, pelo IBGE, apontou alta de 0,1%, ante expectativa de queda de 0,1%, mas a leitura, apesar de um pouco melhor do que o esperado, mostrou avanço apenas para a indústria extrativa mineral, e queda na maior parte das categorias, em particular nos bens de capital, escreve Marianna. "Liquidamente, os dados sugerem um quadro difícil para a indústria, olhando à frente", acrescenta a economista.

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