Juros: Taxas sobem, sucumbindo à pressão dos Treasuries após fala de Powell

Os juros futuros tentaram emplacar mais uma sessão de baixa, mas esbarraram na cautela do ambiente externo. No fechamento, as taxas mostravam alta moderada. O avanço da agenda econômica do Congresso, ponderações sobre o fiscal, a expectativa de um número favorável do IPCA amanhã e o leilão robusto de prefixados do Tesouro conseguiram conter, durante boa parte do dia, a influência dos yields dos Treasuries e do petróleo em alta sobre a curva local. Mas no fim da tarde, as taxas não resistiram ao discurso hawkish do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 fechou em 10,825%, de 10,786% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 encerrou em 10,66%, de 10,57% ontem. O DI para janeiro de 2027 subiu de 10,69% para 10,78% (máxima). O DI para janeiro de 2029 terminou com taxa de 11,14% (máxima), de 11,06%.

O mercado mostrou, em boa parte do dia, disposição para dar sequência aos ajustes de baixa, se amparando na aprovação da reforma tributária ontem no plenário do Senado que, embora longe do ideal e com placar apertado, não deixa de representar uma vitória da equipe econômica. "A aprovação dá um pouco mais de clareza sobre o que há por vir e a estratégia de Lira para evitar que o texto tenha de voltar ao Senado também é algo positivo", afirma o estrategista de renda fixa da BGC Liquidez Daniel Leal.

Além disso, o julgamento da correção dos saldos do FGTS no Supremo Tribunal Federal (STF), com os três votos conhecidos até o momento defendendo o reajuste pela caderneta de poupança, contribuía para o alívio. "Se fosse pelo IPCA, o governo teria grande despesa com a correção desde 1999", afirma o sócio e economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Cristiano Zanin.

Velho cita ainda como fator positivo a sinalização do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), após reunião dos líderes, de que vai acelerar a tramitação da proposta de subvenção do ICMS, "que é fundamental para a arrecadação do governo."

Tais fatores domésticos conseguiam limitar no DI o contágio da alta dos retornos dos Treasuries, que subiam desde cedo com discursos de dirigentes do Fed e que encontraram respaldo na fala de Powell que viria mais tarde às 16h. Ele afirmou que o Fed ainda não está confiante de que os juros atingiram nível restritivo suficiente para a inflação voltar à meta. "Se for apropriado apertar mais política monetária, não hesitaremos em fazê-lo", disse.

As taxas dos Treasuries ampliaram a alta, com a da T-Note de 2 anos voltando a 5% e a do papel de 10 anos superando 4,60%. O mercado foi ainda influenciado por um leilão de US$ 24 bilhões em T-Bonds de 30 anos com demanda fraca.

Já o leilão de prefixados no Brasil foi bem sucedido, com lotes grandes absorvidos integralmente e com taxas abaixo do consenso. A oferta de LTN foi de 10 milhões e a de NTN-F, de 1,5 milhão.

Amanhã o IBGE divulga o IPCA de outubro, com mediana das estimativas apontando taxa de 0,29%, de 0,26% em setembro. Para os preços de abertura, a expectativa é de aceleração da média dos núcleos, mas arrefecimento de administrados e serviços subjacentes. A depender da leitura do mercado, poderá haver ajustes nas apostas para o ciclo da Selic.

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