Fed: CPI de hoje 'pareceu muito bom'; há progresso 'lento, mas claro' na inflação

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou nesta terça-feira, 14, que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) divulgado mais cedo "pareceu muito bom". Durante conversa no Detroit Economic Club, ele destacou que está bastante atento ao movimento nos preços do segmento de moradia, além do núcleo do índice, para avaliar o quadro.

Com direito a voto nas decisões de política monetária neste ano, Goolsbee disse que "o lado do emprego tem estado ótimo, mas a inflação não tem estado ótima" nos EUA. Segundo ele, apesar da inflação ainda elevada, é de se destacar que, em 2024, pode ser confirmada uma queda expressiva do índice, sem que tenha ocorrido uma recessão. O dirigente qualificou esse controle potencial da inflação sem grande perda na atividade como uma "trajetória dourada, melhor que um pouso suave". Ao mesmo tempo, admitiu que continua a haver riscos de choques negativos, como questões geopolíticas no Oriente Médio e sua influência nos preços do petróleo.

Goolsbee mencionou o fato de que, ao contrário por exemplo do quadro visto no início da década de 1980, no episódio atual de inflação elevada as expectativas para ela se mantiveram ancoradas. Além disso, notou que há deflação em bens na economia do país, enquanto a inflação de serviços "caiu um pouco, mas não muito". De qualquer modo, considerou que "avançamos muito na inflação", e disse também que ocorre um "progresso lento, mas claro" nos componentes do índice. Ele notou o crescimento recente na produtividade, que tem ajudado a apoiar a atividade sem gerar mais pressão sobre os preços.

Questionado sobre a greve no setor automotivo nos EUA, ele lembrou que ainda é preciso que os acordos fechados com a montadora sejam confirmados. De qualquer modo, informou que o Fed Chicago realizou um levantamento de paralisações anteriores e concluiu que o efeito para a economia como um todo das paralisações no setor tende a ser bem modesto. "Não acredito que a greve do setor automotivo provoque um grande impacto na economia", avaliou.

Goolsbee comentou, porém, que há uma "desconexão" entre os indicadores reais da economia e o sentimento, entre pessoas e empresas.

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