Em pausa no rali, Ibovespa cai 0,49%, a 130,2 mil; na semana, avança 2,44%

Após ter renovado máximas históricas intradia ontem e na manhã de hoje, o Ibovespa, vindo de fechamento anterior também em nível recorde, fez uma pausa no rali de fim de ano nesta última sessão de semana em que acumulou ganho de 2,44% - contra perda de 0,85% no intervalo precedente, que havia sucedido seis semanas de avanço consecutivo. Com a alta de 2,25% nesta primeira quinzena de dezembro, estendendo o avanço de 12,54% visto em novembro, o Ibovespa mostra ganho de 18,65% em 2023, a caminho de seu melhor desempenho anual desde 2019.

Hoje, o índice da B3 oscilou entre mínima de 129.883,62 e o novo pico histórico de 131.661,25 pontos, encerrando o dia aos 130.197,10 pontos, em baixa de 0,49% na sessão. O giro ficou em R$ 31,3 bilhões nesta sexta-feira de vencimento de opções sobre ações. "O dia foi de vencimento de opções também lá fora, o que trouxe uma volatilidade a mais na briga entre 'comprados' e 'vendidos', assim como a votação de matérias importantes na Câmara, como a MP das subvenções do ICMS, que de certa forma tem impacto negativo para as ações de varejistas", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Assim, na ponta perdedora do Ibovespa nesta sexta-feira, destaque para Casas Bahia (-10,64%), Magazine Luiza (-9,05%) e Petz (-6,43%) - o ICON, índice de consumo, fechou o dia em baixa de 1,64%. No lado oposto na sessão, Braskem (+2,90%), Banco do Brasil (+2,40%), CSN (+2,39%) e Raízen (+2,19%). Nas commodities, Petrobras fechou sem sinal único (ON -0,78%, PN +0,23%) e Vale teve ganho discreto (+0,63%) - o IMAT, índice de materiais básicos, subiu 0,13%.

Fora do aspecto setorial, a boa notícia doméstica para as contas públicas - a aprovação da MP da subvenção, considerada das mais importantes medidas arrecadatórias para 2024, ano para o qual o mercado ainda mostra desconfiança quanto à capacidade de o governo zerar o déficit fiscal conforme prometido - não alterou o caminho do Ibovespa na maior parte da sessão na B3.

A pausa desta sexta-feira era esperada em véspera de fim de semana, vindo o Ibovespa de patamares históricos. Em Nova York, o Dow Jones - que havia renovado máximas nos dois dias anteriores, e hoje o fez de novo, no fim da sessão - e o S&P 500 - agora perto de romper recorde que retrocede a janeiro de 2022 - fecharam sem direção única, em alta de 0,15% e baixa de 0,01%, respectivamente. "Depois do entusiasmo com o Fed, é normal alguma lateralidade, também lá fora. A principal pergunta, daqui para frente, é se haverá elementos que sustentem novas altas", diz Thiago Lourenço, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Em nível global, o apetite por risco ganhou dinamismo especial desde a quarta-feira, 13, em que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, surpreendeu boa parte do mercado com guinada de tom, bem mais suave e moderado ('dovish', como prefere dizer o mercado) do que se esperava. Assim, março de 2024 passou a ser a data em que se acredita, agora, que o Fed poderá começar a cortar as taxas de juros nos Estados Unidos, referência para o mundo. Há pouco tempo, ainda havia divergência se a redução nos custos de crédito na maior economia viria apenas no segundo semestre ou se começaria ainda no fim do primeiro semestre de 2024.

"Powell veio como um Papai Noel nesse fim de ano, foi o grande 'turning point' ponto de inflexão para os mercados", diz Cesar Mikail, gestor de renda variável da Western Asset. Com agenda mais fraca a partir da próxima semana, a penúltima do ano, a tendência é que, na ausência de surpresas negativas, o S&P 500 possa testar sua máxima histórica ainda em 2023, avalia o gestor. Hoje, mesmo em baixa, o índice amplo de Nova York fechou aos 4.719,19 pontos, não tão distante do pico histórico de 3 de janeiro de 2022, então aos 4.796 pontos, observa Mikail.

"As curvas já estão precificando juros do Fed de 75 a 100 pontos-base abaixo, ao longo de 2024, e a 125 pontos-base abaixo, no caso do BCE (Banco Central Europeu). Mesmo para quem está lá fora, acompanhando Powell e Fed bem de perto, esta semana veio como uma grande surpresa, algo realmente inesperado. Daí o ajuste que se vê nos preços dos ativos e no apetite por risco, que beneficia também emergentes como Brasil e México, os dois principais da América Latina", acrescenta o gestor, ressaltando que, em termos de múltiplos e valuation, o Brasil ainda permanece atrativo em relação a seu principal 'peer' regional.

Nesse contexto, o otimismo do mercado financeiro sobre o desempenho das ações no curtíssimo prazo voltou a crescer no Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. Entre os participantes, 57,14% preveem alta para o Ibovespa na próxima semana e 28,57%, estabilidade. Apenas 14,29% esperam baixa. No Termômetro da semana passada, a maioria de 57,14% previa variação neutra; 28,57%, alta; e 14,29%, queda.

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