Dólar perde força com realização, após subir com demanda para remessas e proteção

O dólar exibe alta moderada na manhã desta segunda-feira, 18. Renovou máxima a R$ 4,9488 (+0,23%) no mercado à vista, mas há pouco rodava perto da estabilidade.

A moeda norte-americana perde força, com realização intradia em meio à queda do dólar frente pares rivais, após subir com demanda corporativa para remessas ao exterior e ajustes de posições defensivas nesta última semana completa de negócios antes do Natal e virada de ano, diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.

Os investidores estão buscando proteção em meio a preocupações com a fraqueza das economias na Europa e com o crescimento da China neste ano, enquanto nos Estados Unidos alguns dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) já estão moderando o discurso sobre corte de juros em 2024, após a manutenção das taxas em 5,25% a 5,50% e da fala "dovish" do presidente do Fed, Jerome Powell, na última quarta-feira.

O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, alertou ontem que ainda é cedo para declarar vitória contra a inflação. O comentário se soma ao de outros dirigentes do Fed na sexta-feira, sugerindo que o início do corte de juros pode não estar tão perto quanto os investidores esperam.

Aqui, Galhardo aponta que o risco fiscal incomoda, por expectativas no mercado de que o governo não deve cumprir a meta de déficit primário zero em 2024, apesar do avanço da pauta econômica no Congresso. "O Congresso aprovou a reforma tributária, que deve ser promulgada nesta quarta-feira, mas ainda precisam ser concluídas votações importantes, como da LDO, além da regulamentação das apostas esportivas e da MP da Subvenção, medidas de arrecadação essenciais para o governo tentar atingir a meta zero no ano que vem."

Com a agenda mais fraca hoje, os investidores estão na expectativa pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã.

Na quinta-feira é dia do Relatório Trimestral de Inflação de dezembro e, ao longo da semana, as atenções estarão também no Congresso.

Lá fora, os destaques são dados do PIB do terceiro trimestre dos EUA, índices de inflação na zona do euro, Alemanha e do PCE dos EUA, medida de preço preferida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que será publicado na sexta-feira.

No Boletim Focus, a expectativa para a inflação deste ano recuou mais uma vez e passou de 4,51% para 4,49%. Para 2024, foco da política monetária, a projeção para IPCA se manteve em 3,93%. Considerando as 59 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana para 2023 passou de 4,51% para 4,48%. Para 2024, por sua vez, a projeção de alta passou de 3,92% para 3,93%, considerando 58 atualizações no período. As estimativas continuam acima do centro das metas para a inflação.

Às 10h07, o dólar à vista ganhava 0,04%, a R$ 4,9393. O dólar para janeiro subia 0,01%, a R$ 4,9395, ante máxima a R$ 4,950 (+0,22%).

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