Dólar sobe a maior nível desde 15/12, com ruído político e exterior

A aversão a risco no primeiro pregão do ano deu novo impulso ao dólar, que fechou o dia aos R$ 4,9158, alta de 1,29%. A preocupação com a possibilidade de uma desaceleração global mais forte, até mesmo de recessão, levou a moeda americana à maior cotação desde 15 de dezembro (R$ 4,9372). Além do ambiente desfavorável no exterior, o desempenho foi influenciado pela tensão entre governo e Congresso após mudanças promovidas pelo Executivo de decisões tomadas no Legislativo.

Os investidores também evitaram aumentar a exposição em real antes da divulgação da ata do Federal Reserve, marcada para amanhã, e dos dados do mercado de trabalho dos EUA, previstos para sexta-feira, o que acabou contribuindo para a realização de lucro na bolsa, com consequências no câmbio.

A cautela foi puxada desde cedo, entre outros motivos, pelo receio em relação ao ritmo de desaceleração da economia global, após indicadores industriais mais fracos do que o esperado em grandes economias. Essa foi a foto mostrada por medições de dezembro dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, da China e do Reino Unido.

Como consequência, as taxas nos títulos do tesouro americano, os Treasuries, subiram e o petróleo, após mostrar volatilidade, terminou a terça-feira em baixa, hoje de 1,77% nos contratos do WTI para fevereiro. O cenário foi, dessa forma, desfavorável para as moedas de mercados emergentes. Também ante as divisas principais, o DXY subiu a 102,2 pontos, o maior nível desde o dia 20 de dezembro.

Frente ao real, o dólar chegou a bater nos R$ 4,9202 na máxima da sessão, também porque o mercado teme pela escalada nos atritos entre governo e Congresso. Depois da medida provisória que elimina aos poucos a desoneração que o Congresso havia prorrogado na folha salarial de 17 setores, vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mexerem no calendário de distribuição das emendas parlamentares. Relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o deputado Danilo Forte (União-CE) disse que recebeu os vetos presidenciais com preocupação.

"O investidor começa o ano realizando lucro por causa de incertezas sobre a atividade geradas por dados industriais. Além disso, os vetos do presidente Lula ao orçamento pesaram porque atritos entre os poderes afetam tanto a confiança quanto as incertezas fiscais", resume Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.

No mercado futuro, o dólar para liquidação em fevereiro subia 1,54% perto do fechamento, a R$ 4,9420. Firme, o volume era de US$ 19,5 bilhões.

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