Na contramão de NY, Ibovespa cai 0,46%, à espera de dados de inflação

Desta vez em sentido contrário ao de Nova York, onde as variações também foram contidas pela expectativa, amanhã, do CPI dos EUA, o Ibovespa caiu 0,46%, a 130.841,09 pontos, entre mínima de 130.438,06 e máxima de 131.627,60 pontos na sessão, em que saiu de abertura aos 131.446,59 pontos. O giro financeiro se manteve abaixo do limiar de R$ 20 bilhões, a R$ 19,6 bilhões nesta quarta-feira.

Em janeiro, o Ibovespa acumula perda de 2,49%, o equivalente a 3.344 pontos em relação ao fechamento de 2023, então aos 134.185,24, bem perto da máxima histórica renovada ao longo de dezembro. Nesta segunda semana de 2024, o índice da B3 recua 0,90% até esta quarta-feira. Desde a abertura do ano, em sete sessões até aqui, foram três ganhos e quatro perdas para o Ibovespa - a alta mais acentuada, de 0,61%, no dia 5; e a maior baixa no intervalo, de 1,21%, em 4 de janeiro.

Com agenda econômica rarefeita desde o início da semana, foi mais um dia "de poucas novidades para o cenário do mercado", em que os ativos de risco mantiveram "movimentação modesta" ante a recalibragem de expectativas dos investidores para a trajetória dos juros nos Estados Unidos, nesta véspera de divulgação da inflação ao consumidor americano em dezembro, aponta em nota a Guide Investimentos.

"A curva de juros no Brasil mostrou hoje grau de volatilidade um pouco maior, com os vértices em alta o que afeta o apetite por ativos de risco, como ações", diz Erik Sala, analista da DVInvest/Blue3 Investimentos, referindo-se à "ansiedade" que tem prevalecido entre os investidores desde a divulgação, na semana passada, da ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve, de dezembro, que jogou água no chope dos que aguardavam corte de juros americanos já em março.

"Essa precificação de corte nos juros do Fed para março vem perdendo força desde a publicação da ata: já foi uma aposta muito maior. E amanhã tem o CPI, que será um dado-chave para essa definição do mercado com relação à perspectiva para os juros dos Estados Unidos", acrescenta o analista, destacando também a divulgação, nesta quinta-feira, do IPCA, a métrica oficial de inflação ao consumidor no Brasil.

Nesse contexto mais avesso a risco, aqui e no exterior, o início de ano tem sido marcado por desempenho em geral negativo para as ações de maior peso no Ibovespa, especialmente Vale (ON -6,44% em 2024) e siderúrgicas - Gerdau (PN -9,60%) e CSN (ON -8,90%), ambas no mês -, em meio também a reconsiderações sobre a demanda chinesa, que têm afetado o preço do minério de ferro neste começo de janeiro, após recuperação nas cotações da commodity observada em dezembro.

Nesta quarta-feira, o contrato mais negociado de minério de ferro no mercado futuro de Dalian, para maio de 2024, fechou em baixa de 3,02%, a 962 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 134,20.

As sucessivas quedas do minério nos últimos pregões refletem fatores como preço "esticado", aspecto que tem sido reforçado pelo governo chinês; temores quanto ao setor imobiliário, após pedido de falência da Zhongzhi; e notícias sobre demanda mais fraca, aumento nos estoques do insumo e pausas para manutenção de siderúrgicas chinesas, além de restrições em Tangshan, uma região importante para o aço, segundo o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi.

O Banco do Brasil BI (BB-BI) avalia que o setor de siderurgia e mineração se destacou na B3 em dezembro, acompanhando então a retomada nos preços do minério - e em antecipação, também, à entrega de bons resultados pelas companhias do setor, especialmente aquelas, como CSN e Usiminas, cujos papéis não precificavam, nos meses anteriores, a melhora nas cotações da commodity. Hoje, Usiminas PNA caiu 2,67%, colocando a perda no mês a 9,58%, e CSN ON cedeu 2,61% (na semana, -6,91%).

Em relação à mineração, em dezembro o PMI industrial na China seguiu em retração, indicando a continuidade do arrefecimento da atividade. "Embora os dados mais recentes de produção e consumo de aço no país asiático mostrem nova redução sequencial, as importações de minério tiveram ligeiro aumento e contribuíram para o incremento dos estoques da commodity", aponta a analista Mary Silva, do BB-BI.

A abertura de 2024 também tem sido ruim para as ações de grandes bancos, outro setor fundamental no Ibovespa, com destaque para Bradesco (ON -5,37%, PN -6,15% no mês), que ontem teve recomendação rebaixada pelo Goldman Sachs, para 'venda'. Hoje Bradesco ON e PN fecharam, respectivamente, em baixa de 1,70% e 1,72%.

Na sessão, o papel de maior peso individual no Ibovespa, Vale ON, caiu 1,50%, em dia negativo também para Petrobras (ON -0,99%, PN -0,92%). Entre os grandes bancos, além de Bradesco, destaque para a queda de 1,23% em Santander. Na ponta perdedora do Ibovespa na sessão, MRV (-4,71%), CVC (-4,41%) e Prio (-4,17%). No lado oposto, Embraer (+3,38%), Eletrobras (PNB +3,03%, ON +2,59%) e Natura (+2,32%).

O sinal do petróleo na sessão se firmou no negativo após dados semanais do Departamento de Energia dos EUA terem mostrado que os estoques da commodity no país tiveram alta de 1,338 milhão de barris, a 432,40 milhões, na semana encerrada em 5 de janeiro. Analistas ouvidos pela FactSet previam recuo de 600 mil barris no intervalo.

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