Ata do BCE nota queda encorajadora na inflação, mas reforça abordagem dependente de dados

O Banco Central Europeu (BCE) destaca, na ata de sua reunião de 13 e 14 de dezembro publicada nesta quinta-feira, 18, o recuo "acentuado" na inflação da zona do euro nos três meses anteriores, com queda "encorajadora" e disseminada da inflação. Mas o documento aponta que a núcleo da inflação deve manter queda gradual, enquanto a inflação de serviços seguia forte, e o índice cheio deve ganhar fôlego no curto prazo, com queda gradual no restante de 2024.

Nesse quadro, o BCE reafirmou sua postura de seguir com a política monetária atual, deixando suas opções em aberto e reagindo a partir dos próximos indicadores. Em 14 de dezembro, a instituição manteve os juros pela segunda reunião consecutiva.

O BCE diz que o aperto monetário seguirá "pelo tempo necessário", baseando-se nos dados para os ajustes necessários na política. Mantida pelo tempo adequado, a atual política monetária é suficiente para levar a inflação à meta, reafirma a ata.

Ao mesmo tempo, o documento nota movimento recente no mercado que pode afetar o quadro.

O aperto nas condições financeiras antes visto foi "mais do que revertido" em novembro e no início de dezembro, enquanto o mercado também realizou uma "revisão substancial" nas perspectivas de inflação, para baixo. Agora, investidores esperam um início mais rápido no ciclo de relaxamento monetário, com cortes mais adiantados do que o antes projetado.

O BCE adverte, porém, que uma forte reprecificação no mercado poderia relaxar em demasia as condições financeiras.

A ata reafirma que o índice cheio da inflação deve retornar à meta apenas até o segundo semestre de 2025. O BCE destaca que dados recentes na zona do euro se mostraram melhores do que o antes previsto, mas também diz que os riscos ao crescimento na região continuam a ser de baixa. A transmissão da política monetária, enquanto isso, continuava "excepcionalmente forte".

Ainda segundo a ata, o momento atual era apropriado para rever o cronograma de investimentos do Programa de Compras de Emergência na Pandemia (PEPP, na sigla em inglês). Em dezembro, o BCE anunciou que pretendia acabar com os reinvestimentos do PEPP até o fim de 2024.

O BCE também comenta na ata que as perspectivas para a estabilidade financeira seguiam "frágeis", no quadro atual, e destacava também o quadro nos salários, dizendo que ainda gostaria de ver evidências "convincentes" de mudanças sustentadas no cenário para o ritmo das altas desse componente.

No quadro global, o BCE destaca que houve surpresas de baixa recentes na inflação pelo mundo. Também vê redução nas tensões geopolíticas, acompanhadas de petróleo mais barato, embora o documento também destaque como riscos o conflito no Oriente Médio e a guerra da Rússia na Ucrânia.

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