Bundesbank: crescimento da Alemanha continuará fraco no início de 2024, mas sem recessão severa

A fraqueza do crescimento econômico da Alemanha continuará neste início de ano, e o país poderá voltar a ter leve contração no primeiro trimestre, mas deverá evitar uma recessão severa e "significativa". A análise é do BC da Alemanha, conhecido como Bundesbank, em relatório divulgado hoje.

O documento observa que "alguns fatores de estresse" que pressionaram o Produto Interno Bruto (PIB) alemão a contrair 0,3% no quarto trimestre de 2023, depois de meses em estagnação, permanecem ativos. Entre eles, o Bundesbank destaca, em particular, o aumento desproporcional na falta de encomendas à indústria desde abril, que atingiu 37% em levantamentos recentes, e deve ter um impacto cada vez maior sobre a produção industrial. Outros fatores são custos maiores de financiamento, vencimento dos subsídios ambientais - que pesaram sobre investimentos - e clima desfavorável - este com impactos sobre o setor de construção.

Por outro lado, o BC pondera que a inflação mais baixa, o mercado de trabalho resiliente e forte avanço dos salários estão apoiando o consumo privado, embora as famílias alemãs continuem "cuidadosas" com seus gastos domésticos.

O relatório aponta também que a fraqueza econômica teve um impacto apenas modesto e sem sinais claros de deterioração sobre o mercado de trabalho, com o setor gerando 28 mil empregos no trimestre do outono europeu e a taxa de desemprego se mantendo inalterada entre dezembro e janeiro.

Sobre a inflação, o Bundesbank projeta continuidade na trajetória de queda pelos próximos meses, mas com desempenho bastante volátil em função dos efeitos de base dos custos de energia e transporte público. Além disso, a inflação de serviços deverá cair mais lentamente do que os preços de bens, em resposta ao forte avanço dos salários.

Neste cenário, "uma recessão no sentido de um declínio significativo, amplo e duradouro na produção econômica ainda não pode ser determinada" e não está entre as expectativas atuais do BC alemão, afirma o documento.