BC da Turquia mantém juros em 45% e reforça que nível restritivo será mantido até inflação cair

O Banco Central da Turquia manteve sua principal taxa de juros em 45% nesta quinta-feira, 22, reforçando sinalização de que as taxas permanecerão restritivas até obter uma tendência de queda significativa e sustentada da inflação mensal, junto à convergência das expectativas de inflação para a meta de 5%. Além disso, o BC argumentou que o atual nível do juro básico contribuirá para a valorização da lira turca, "um dos elementos importantes para a desinflação".

Por outro lado, o BC turco também alertou que o aperto da política monetária poderá ser retomado, caso ocorra uma deterioração nas perspectivas de inflação. Segundo a instituição, o objetivo continua sendo a redução da inflação em um horizonte de médio prazo.

Em comunicado, o BC ressaltou que decisões monetárias serão determinadas pelos dados disponíveis, prezando pela transparência e previsibilidade de suas iniciativas e levando em consideração os atrasos nos efeitos da política monetária. "Os indicadores relativos à inflação e sua principal tendência serão monitorados de perto e o Conselho usará resolutamente todas as ferramentas à sua disposição, de acordo com a meta principal de estabilidade de preços", escreveu.

Sobre o desempenho da economia, o BC da Turquia aponta que o avanço da inflação em janeiro veio em linha com as expectativas e que a demanda doméstica continua em processo para se equilibrar, com arrefecimento mais forte no consumo de bens. Entretanto, "rigidez nos preços de serviços, riscos geopolíticos e preços de alimentos mantêm pressões inflacionárias", avaliou o BC.

Em geral, a decisão veio em linha com as expectativas de analistas e demonstra que o novo presidente do BC da Turquia, Fatih Karahan, está comprometido com a continuidade da política restritiva. Karahan substituiu Hafize Gaye Erkan no cargo, após a presidente renunciar abruptamente depois de apenas oito meses no poder, alegando ter sido vítima de ataques. Erkan foi responsável por retomar um direcionamento mais ortodoxo da política monetária, em um esforço mais robusto para controlar a inflação da Turquia.