Cautela antes da decisão de juros nos EUA e feriado no Brasil jogam Ibovespa para baixo

A queda dos índices de ações do exterior contamina o Ibovespa nesta terça-feira, em meio à divulgação de uma série de balanços. Aqui, o resultado trimestral do Santander Brasil agradou, ao informar um lucro líquido acima do esperado, o que estimula ações do setor. Ainda assim, o principal indicador da B3 cai para a faixa dos 126 mil pontos, em meio ainda a dados da Pnad Contínua e do Caged, mostrando força do mercado de trabalho, o que pode gerar pressão inflacionária e uma Selic terminal maior.

Além disso, o feriado aqui em celebração do Dia do Trabalho impõe cautela, já que também nesta quarta-feira sairá a decisão sobre juros nos Estados Unidos. Ontem o Índice Bovespa fechou com alta de 0,65%, recuperando o nível dos 127 mil pontos (127.351,79 pontos), o que instiga ajuste para baixo.

"O principal motivo é o mercado não querendo se posicionar antes da decisão de juros nos Estados Unidos, pois aqui será feriado", diz Lucca Ramos, sócio da One Investimentos.

Os juros futuros e o dólar avançam, refletindo a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, sobretudo após a divulgação do dado trimestral de custo de emprego dos Estados Unidos avançar mais que o esperado, elevando as dúvidas em relação a quando o Fed começará a cortar os juros. Ainda hoje, sairão os resultados trimestrais da Amazon, nos EUA.

"Internacionalmente, os mercados adotam uma postura de cautela no último dia do mês, aguardando a reunião do Fed, com previsões de que as taxas permanecerão entre 5,25% e 5,50%, mas com expectativas de indicações sobre futuras reduções", descreve em nota a Guide Investimentos.

No Brasil, o mercado de trabalho aquecido conforme retratado no Caged e na taxa de desemprego fica no radar, à medida que pode gerar preocupações inflacionárias e dúvidas quanto a uma eventual redução no ritmo de queda da Selic, ainda que hoje o boletim Focus tenha mostrado que um recuo de meio ponto porcentual em maio ainda prevalece.

"Hoje tem formação da Ptax, o que pressiona o dólar. Junto com esse ambiente de risk off , a curva de juros está abrindo e a Bolsa caindo. Assim, as small caps são as que sofrem um pouco mais, dada a possibilidade de terem maiores custos em meio a essa precificação na curva futura", acrescenta Ramos, da One Investimentos.

Por ora, o Ibovespa sugere que terminará abril com queda superior a 1,00%, o que seria o seria o segundo mês de desvalorização. Aqui, o recuo sugere que será menos intenso do que os pares de Nova York, onde o S&P 500, por exemplo, acumula perdas de 2,75% em abril até o momento.

Às 11h18, o Ibovespa caía 0,56%, aos 126.632,39 pontos, após recuar 0,71%, na mínima aos 126.445,48 pontos, vindo de abertura aos 127.351,57 pontos.

Na Bolsa, além do índice imobiliário (-2,06%), também sensível ao ciclo econômico, o de small caps era o que mais cedia (-1,10%).

As ações da Vale caíam 0,91%, após recuo de 0,06% do minério de ferro em Dalian e números conflitantes da manufatura chinesa. Ontem, as ações da mineradora subiram na B3, assim como os da Petrobrás. Os papéis da estatal caíam entre 0,66% (PN) e 1,32% (ON).

A Petrobras fechou o primeiro trimestre do ano com produção de 2,776 milhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural), alta de 3,7% na comparação com o mesmo período de 2023. vendas de combustíveis caíram 2,9% no primeiro trimestre, para 1,648 milhão de barris por dia.

Entre os bancos, Unit de Santander subia 2,74%, espalhando pelo setor, depois de informar balanço do primeiro trimestre de 2024 considerado positivo por analistas.

O Santander Brasil registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,021 bilhões no primeiro trimestre de 2024, uma alta de 41,2% no comparativo anual, enquanto na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve um crescimento de 37,1%.