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Com Macri e Dilma no poder, Argentina e Brasil estão trocando de lugar, diz FT

  • Alan Marques/ Folhapress

    O presidente da Argentina, Mauricio Macri, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff

    O presidente da Argentina, Mauricio Macri, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff

SÃO PAULO - Em texto publicado na última segunda-feira (4), o jornal britânico "Financial Times" afirma que uma peculiar troca de papéis está acontecendo entre as maiores economias da América do Sul.

A Argentina, que foi vista por um bom tempo como uma economia pária na região, está fazendo as pazes com o mercado após a eleição de Mauricio Macri. Enquanto isso, o Brasil, que era o queridinho dos credores globais, está vendo a sua fortuna "despencar".

O FT lembra que as ações, os títulos e as moedas do Brasil estão tendo uma maré bastante difícil em meio a uma profunda recessão e o esquema de corrupção na Petrobras. Porém, a crise piorou em dezembro, após a agência de classificação de risco Fitch Ratings se juntar a Standard & Poor's e tirar o selo de "bom pagador" do país.

O jornal ressalta que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda geraram questões adicionais sobre se o país ainda pode se governar.

Conforme destacou o analista Stephen Jen, da SLJ Macro Partners, a combinação entre o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e a China continuarão sendo um "coquetel intragável" para o Brasil. Para ele, o dólar deve atingir os R$ 5 ainda no primeiro semestre de 2016.

Em contraste com o Brasil, há uma crescente esperança sobre a Argentina. "Se o Brasil está começando a parecer mais como Argentina em 2001, a Argentina, com a eleição de Mauricio Macri para presidente e sua promessa de política econômica mais ortodoxa, está começando a se parecer com o Brasil de 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva, um ex-líder sindical que virou político, ganhou a presidência pela combinação de promessas de justiça social com políticas econômicas sensatas", afirmou, ressaltando que Lula também contou com a sorte ao seu lado, com seu governo coincidindo com o início do "boom" de commodities guiado pela China.

Por outro lado, Macri faz um início de ano positivo ao se desfazer de mais uma década de políticas macroeconômicas populistas que deixaram a Argentina com uma taxa de câmbio sobrevalorizada, inflação galopante e reservas estrangeiras baixas.

Mesmo com uma forte desvalorização do peso argentino, há pouca sensação de pânico no mercado, porque é algo entendido como um movimento-chave (embora doloroso) para Macri reformar a economia em crise do país.

O FT lembra que a estrada argentina está cheia de desafios, mas os economistas estão cautelosamente otimistas, por enquanto. O Bank of America Merrill Lynch elevou a recomendação para investimentos em títulos do país para "compra".

E o FT conclui: "durante a Copa do Mundo de 2014, a Argentina surpreendeu a todos, indo para as finais, enquanto o Brasil, o país-sede e um dos favoritos para ganhar, sofreu uma humilhante derrota de 7 a 1 nas mãos da Alemanha. É cedo, mas se Macri cumprir suas promessas, os argentinos poderão ter em breve outro motivo para se vangloriarem".

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