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Seguro Auto Popular pode custar até 30% menos e cria novo mercado

SÃO PAULO – Na última quinta-feira, 31 de março, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) publicou a regulamentação que cria uma nova modalidade de seguros para carros: o Seguro Auto Popular, que pode baratear o valor de contratação em até 30%.

Viabilizada pela lei 12.977, de maio de 2014, que regulamentou desmontes de veículos, a nova modalidade permitirá que se recorra a peças já usadas para a reposição nos carros assegurados que passem por sinistro. Poderão ser usadas, por exemplo, peças da parte de trás de um carro em bom estado que tenha sofrido uma batida na parte dianteira. As exceções são sistemas que tenham relação direta com a segurança do passageiro – como freios, cintos de segurança e suspensão.

É justamente esse reuso que culminará no barateamento do preço de cobertura para quem contratar o serviço.

No Seguro Auto Popular, a cobertura mínima deverá compreender a garantia de indenização por danos causados por colisão – ou seja, não haverá oferta para cobertura que preveja apenas a indenização integral por colisão, como existe em outras opções de seguros de automóveis.

Embora os veículos "alvo" sejam aqueles com mais de 5 anos de uso, qualquer segurado poderá optar pelo novo produto, basta que esteja ciente de que as peças para reparo serão seminovas ou usadas.

Para o presidente do Sincor-SP (Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo), Alexandre Camillo, essa nova modalidade afeta direta e positivamente os corretores de seguro pela possibilidade de novos negócios.

"Temos uma frota imensa de veículos sem seguro que poderiam ser segurados, mas não são pela sua idade. Para nós é interessante, porque é um cliente novo que precisa ser orientado: abre-se aí um mercado bastante grande, ainda mais em um momento em que as vendas de veículos novos caíram bastante", diz ele. Atualmente, cerca de 69,5% dos carros da frota nacional circulam sem seguro, de acordo com um levantamento de 2015 pela corretora Minuto Seguros. Segundo a Fenabrave, as vendas de veículos novos recuaram 23,59% em março.

Para Camillo, os impactos financeiros e a criação desse novo mercado compõem apenas uma das frentes de melhorias que essa nova categoria pode trazer. "A regulamentação do desmonte tem potencial para diminuir os roubos de peças, além de criar uma ação interessante do ponto de vista da sustentabilidade e melhorar as opções para uma classe social que não era contemplada pelos seguros", diz. "Foi uma ação extremamente inteligente", comemora.

Apesar de tudo isso, ainda há aspectos que precisam ser trabalhados para que, de fato, as seguradoras passem a oferecer a opção a seus clientes. "A norma basicamente possibilita o uso de peças manufaturadas, obtidas via desmontes legais que passem por um tratamento e uma melhora para voltar pro mercado", explica ele.  Todavia, "isso não é o suficiente. É necessário também permitir o uso de peças novas não originais, pra dar atendimento a toda a demanda da quantidade de veículos que passam por acidentes e necessitam de reparos", comenta o presidente. Dessa forma, seriam otimizados os impactos positivos da legislação.

"Outros ordenamentos e termos de contrato também já estão sendo discutidos, para garantir que o consumidor saiba exatamente o que está comprando", explica.

Entre conversas técnicas de avaliação de mercado e possíveis adequações posteriores pela Susep, Camillo acredita que até o final do semestre já será possível contratar, através de seguradoras, produtos que se encaixem no Auto Popular.

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