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O Fed tem um motivo de US$ 340 bi para não elevar os juros (e o Brasil é um dos culpados)

SÃO PAULO - Subir ou não subir os juros? Eis a questão que o Federal Reserve tem enfrentado nos últimos meses. Os dois lados enfrentam defensores: quem defende juros mais altos nos EUA ressaltam temor com uma possível bolha e aqueles que reforçam defesa por juros baixos apontam que os dados dos EUA e da economia global ainda mostram fragilidade e que é melhor esperar por novos dados. 

Porém, segundo o jornal Wall Street Journal, três argumentos podem levar o Fed a retardar uma nova alta: Brasil, China e Turquia. Esses três países possuem as companhias dentro do universo emergente que são as mais endividadas na divisa. O BIS (Banco de Compensações Internacionais) fez um alerta na última quinta-feira que a conta dos emergentes está começando a chegar e, entre 2016 e 2018, as empresas dos países destes clubes vão ter que pagar US$ 340 bilhões em dívidas, 40% maior quando comparado a três anos antes e em uma trajetória explosiva. Com a alta dos juros, ressalta o jornal, e a consequente valorização do dólar, o custo da dívida pode aumentar.

O alarme dos investidores toca especialmente para Brasil, Turquia e China uma vez, que além de maiores dívidas, elas contam com o maior custo de dívida.  "O alto nível de dívida corporativa tem contribuído para um superaquecimento em algumas dessas economias e, assim, aumentando o risco de dificuldades financeiras nos próximos anos", disse o BIS disse em nota. Porém, afirma o WSJ, se os juros forem mantidos, parece fácil refinanciar a dívida. 

Segundo o WSJ, há sinais de que os países têm aprendido algumas lições com o passado, com os governos dos emergentes menos alavancados, enquanto as empresas mais endividadas em dólar também obtêm sua receita em dólar, o que diminui o descasamento. Apesar disso, sinais de estresse no mercado emergente aumentam quando há sinais de fortalecimento do dólar e de aumento da dívida. 

O chefe de pesquisa do BIS, Hyun Shin, ressalta que quando o dólar se valoriza e há menos liquidez global, os bancos emprestam menos e diminuem as concessões de empréstimos na moeda. " Neste sentido, o valor do dólar é um barômetro na questão de assumir riscos e indicar condições gerais de crédito", afirma. E os integrantes do Fed parecem ter cada vez mais consciência disso. 

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