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Copom reduz Selic em 0,50 p.p a 4,50%, sem garantir novos cortes

11/12/2019 18h23

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (11) pela redução em 0,50 ponto percentual a taxa básica de juros, de 5% para 4,5% ao ano, confirmando a sinalização no comunicado da última reunião de política monetária, realizada em outubro. Com a decisão, o Copom prossegue com a política de afrouxamento monetário iniciado em julho, levando a taxa Selic às mínimas históricas.

A alta do dólar, a aceleração inflacionária observada em novembro e a recuperação econômica – embora lenta – não influenciaram a decisão do colegiado. No entanto, levou à retirada do trecho que ""O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude".

Isso não significa o fim do ciclo de flexibilização, pois a autoridade monetária reforça cautela para os passos seguintes e acompanhamento de indicadores econômicos correntes para as próximas prescrições de política monetária.

Em comunicado, o Copom disse: "O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação."

O BC também informa que vê recuperação da economia e acredita que o crescimento contiunará:

"Dados de atividade econômica a partir do segundo trimestre indicam que o processo de recuperação da economia brasileira ganhou tração, em relação ao observado até o primeiro trimestre de 2019. O cenário do Copom supõe que essa recuperação seguirá em ritmo gradual;"

O PIB do terceiro trimestre cresceu 0,6% em relação aos três meses antecedentes, superando a expectativa do mercado. O número surpreendente levou à revisão da estimativa do PIB para 2019 no Boletim Focus. A última edição do levantamento do Banco Central com analistas de mercado apontou um crescimento de 1,1% do PIB este ano e de 2,24% para 2020.

O BC também elevou suas previsões para o IPCA para 3,7% em 2020 e 2021, contra 3,5% e 3,6% na avaliação anterior. Os números seguem abaixo da meta de 4% e 3,75% para os anos.

"No cenário híbrido com taxa de câmbio constante a R$4,20/US$* e trajetória de juros da pesquisa Focus, projeta-se inflação em torno de 4,0% para 2019, 3,7% para 2020 e 3,7% para 2021."

A revisão ocorreu com o IPCA, índice oficial de preços. Em novembro, a inflação foi de 0,51% em relação a outubro. No acumulado em 12 meses, o IPCA do mês passado foi de 3,27%, de 2,54%, mesmo assim abaixo do centro da meta de inflação de 4,25% e dentro da margem baixa de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Com isso, o último Focus apresentou a modificação da expectativa de inflação no curto prazo do mercado, com a projeção do IPCA de encerrar 2019 a 3,84%, mas mantendo em 3,6% em 2020, abaixo do centro da meta de 4% estabelecido para o ano que vem, além de sinalizar que o choque nos preços é de curto prazo.

Já o dólar teve uma alta de 3,74% em relação ao real desde a última reunião em outubro. A moeda americana era cotada a R$ 3,9909 em 31/10, dia da reunião em outubro, e fechou a R$ 4,1482 nesta terça-feira, alta de 3,74%, com mínima de R$ 3,9638 e máxima, histórica, de R$ 4,2773. O repasse cambial deste aumento aos preços internos deve ser limitado, o que despreocupou o Copom em manter o afrouxamento monetário em dezembro.

Veja abaixo o comunicado completo do Copom

Copom reduz taxa Selic para 4,50% a.a

Em sua 227ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 4,50% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Dados de atividade econômica a partir do segundo trimestre indicam que o processo de recuperação da economia brasileira ganhou tração, em relação ao observado até o primeiro trimestre de 2019. O cenário do Copom supõe que essa recuperação seguirá em ritmo gradual;

No cenário externo, a provisão de estímulos monetários nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,8%, 3,6%, 3,75% e 3,5%, respectivamente;

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 4,0% para 2019, 3,5% para 2020 e 3,4% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 4,50% a.a., reduz-se para 4,25% no início de 2020, encerra o ano em 4,50% e se eleva até 6,25% a.a. em 2021. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$4,15/US$, 2020 em R$4,10/US$ e 2021 em R$4,00/US$; e

No cenário híbrido com taxa de câmbio constante a R$4,20/US$* e trajetória de juros da pesquisa Focus, projeta-se inflação em torno de 4,0% para 2019, 3,7% para 2020 e 3,7% para 2021.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) o atual grau de estímulo monetário, que atua com defasagens sobre a economia, em um contexto de transformações na intermediação financeira, aumenta a incerteza sobre os canais de transmissão e pode elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes ou (iv) eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 4,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, em grau menor, o de 2021.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.