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Floristas criam hotel e hospital para cuidar de planta durante viagens

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

Donos de floriculturas e produtores começaram a oferecer serviço de hotel e de hospital de plantas para clientes que desejam viajar e não querem relaxar com os cuidados com suas flores. As diárias variam de R$ 2 a R$ 50, de acordo com o tamanho do vaso. Se necessitar de internação, os custos com o tratamento é adicionado ao valor.

A empresária Arlete Dutra, dona da floricultura British, em Belo Horizonte (MG), teve a ideia de oferecer os serviços ao ver muitos de seus clientes reclamando que suas plantas estavam fracas.

A floricultura fica em um bairro de classe média-alta com muitos apartamentos e recebe todo o tipo de planta. "Quando a planta chega feia e maltratada e nós a devolvemos bela e saudável, é como se tivéssemos dado vida a ela novamente", diz.
 
As diárias cobradas variam de R$ 10 a R$ 50, dependendo do tamanho da planta mais o valor do tratamento, no caso do hospital. O serviço representa 10% da receita da empresa. O faturamento total não foi revelado.
 
Outro que percebeu a oportunidade de lucrar com a hospedagem e o tratamento de flores foi o empresário Márcio Azevedo, 48, dono da Bonsai Kai, na capital paulista, loja especializada no cultivo de bonsais –árvores em miniatura cultivadas em vasos. O serviço representa 25% do faturamento da empresa.
 
No caso do hotel, o cliente deixa o vaso na loja quando precisa viajar. A planta é regada e cuidada na ausência do dono. Já no hospital, os bonsais que chegam murchos, descoloridos ou com pragas são recuperados e devolvidos aos donos.
 
Azevedo diz que para implantar o serviço de hotel e hospital não precisou fazer grandes investimentos. Foi necessário apenas separar uma área de 30 m² (de um total de 800 m² da loja) para receber as plantas dos clientes.
 
"Não é preciso muito espaço porque é um serviço sazonal. Mas, é importante separar vasos com pragas dos demais para não haver contaminação."
 
De acordo com o empreendedor, a procura pelo serviço é maior nos meses de dezembro e janeiro, quando ele chega a receber 400 bonsais. No decorrer do ano, as hospedagens cai para 30 por mês.
 
As diárias variam de acordo com o tamanho do vaso. No hotel, o preço fica entre R$ 2 e R$ 8. Já no hospital, as tarifas vão de R$ 3 a R$ 10 por dia quando a internação é inferior a 30 dias. Acima de um mês, o valor do tratamento é combinado com o cliente.
 
Os tratamentos mais comuns no hospital são a cura de pragas e doenças e a troca de vaso, o chamado transplante. "Na primavera, a recuperação é mais rápida. Já no inverno o bonsai demora mais para crescer", diz. A empresa não informou o faturamento.
 
Tanto Dutra como Azevedo não divulgaram os valores dos tratamentos.

 

Setor está em alta

O setor de floriculturas e plantas ornamentais avançou no último ano. De acordo com o Ibraflor (Instituto Brasileiro de Floricultura), em 2012, o segmento faturou R$ 4,5 bilhões, alta de 18,4% em relação a 2011 (R$ 3,8 bilhões).

Embora o serviço de hotel e hospital para plantas possa aumentar a receita do negócio, essa não deve ser a única atividade da empresa, segundo o consultor especializado em floriculturas Augusto Aki.

"Não há movimento suficiente neste serviço para manter um negócio. É preciso ter ao menos uma loja de plantas para que haja sinergia entre esses serviços e as atividades operacionais normais", declara.

O hotel e o hospital para plantas, neste caso, ajudam o empresário a se diferenciar dos concorrentes e a fidelizar o cliente. "O ganho principal do negócio virá com a venda de produtos ao longo do tempo", diz o consultor.

Serviço precisa de espaço próprio

Para implantar um hotel e hospital para plantas numa floricultura é necessário separar uma área entre 30 m² e 40 m² para abrigar o serviço, segundo o presidente do Ibraflor, Kees Schoenmaker.

O local precisa ter um telhado que permita boa iluminação do ambiente, prateleiras para colocar os vasos menores e, principalmente, estar protegido da chuva.

"Há plantas que morrem pelo excesso de água, como as orquídeas. Além disso, poucas espécies precisam estar expostas ao sol. O principal é que o ambiente tenha boa iluminação", afirma.

Por isso, o presidente do Ibraflor diz que é essencial entender os cuidados com cada espécie para quem quer começar o serviço de hotel e hospital para plantas.

"Da mesma forma que uma orquídea morre pelo excesso de água, outras espécies morrem se ficarem um ou dois dias sem serem regadas. O empresário precisa saber o que cada planta necessita e gostar do que faz."

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