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De Star Wars a Pokémon, pintura protege e decora avião e pesa até 650 kg

Maria Carolina Abe

Do UOL, em São Paulo

2015-05-29T06:00:00

2015-05-28T19:15:24

29/05/2015 06h00

Star Wars, Pokémon e Mickey são alguns dos personagens que já levaram mais cores a aviões. E não só de "famosos" é feita uma fuselagem colorida. Panda, salmão e até uma mosca também já ganharam os ares estampados em aeronaves.

A decoração do avião pode ser feita por meio de pintura com tinta ou aplicação de adesivo, e o processo é realizado pelas fabricantes ou pelas próprias companhias aéreas.

Um exemplo no Brasil é a Gol, que na época da Copa do Mundo, no ano passado, deu uma cara descolada a um Boeing 737 com um grafite de Osgemeos. O avião transportou a seleção brasileira durante o Mundial, e deve continuar rodando até o ano que vem com passageiros comuns.

1.200 latas de spray vindas da Espanha

A Gol faz suas "decorações" de avião no centro de manutenção em Confins (MG), onde há um hangar específico para esse tipo de trabalho, com sistema de ventilação apropriado que garante que resíduos de tinta não fiquem dispersos no ar sem tratamento. Em uma pintura completa trabalham, aproximadamente, 12 mecânicos nos três turnos.

No caso do avião da seleção, a equipe da companhia aérea preparou o avião para o grafite e acompanhou o processo para garantir que a pintura não colocasse em risco nenhuma especificação técnica.

Os artistas plásticos Otávio e Gustavo Pandolfo, da dupla Osgemeos, usaram 1.200 latas de spray de tinta própria para aeronaves, trazidas da Espanha especialmente para o grafite. A obra foi mais rápida do que esperado: a previsão inicial era levar 15 dias, mas em sete o trabalho estava pronto, após cerca de 100 horas.

A Gol não informa quanto investiu nessa ação.

Em outras ações semelhantes, a companhia aérea estampou uma fita rosa na fuselagem durante o Outubro Rosa, gravou a mensagem #éTóiss em homenagem a Neymar e estampou a ilustração do passageiro Fernando Degrossi, 35, vencedor do concurso cultural "pintou um GOL".

Beleza com segurança

A pintura do avião não é apenas uma questão estética; envolve também questões de segurança do voo. Um desafio é proteger bem as partes da aeronave que não devem ser pintadas, como antenas, sondas e elementos de detecção.

Quase todas as partes externas do avião podem ser pintadas, principalmente as que possuem alumínio, para proteção. As exceções são isolamentos e partes em aço inoxidável, partes dos motores e estabilizadores, "bordas" de janelas e portas, pois são áreas suscetíveis à formação de gelo.

O ideal é que a pintura do avião seja removida antes de aplicar a nova. Segundo a Airbus, isso pode ser feito por lixamento ou remoção com produtos químicos.

A tinta utilizada é de base uretano, capaz de proteger a fuselagem da aeronave e dar brilho, sem precisar de verniz, como é feito na indústria automotiva, explica a Gol.

As pinturas são feitas manualmente, segundo a Boeing, com pintores usando revólveres de tinta específicos (o processo pode ser visto no vídeo no topo desta reportagem).

650 kg de tinta

Não há um número máximo de cores que podem ser usadas em um avião, segundo Airbus e Boeing. Porém, quanto mais cores, mais tempo para pintar e para a tinta secar --e isso custa mais caro, porque o avião fica fora de operação.

A espessura da pintura depende da cor e do fornecedor. Cores claras podem ser pintadas com uma camada mais fina, enquanto cores escuras exigem mais camadas de tinta, segundo a Boeing. A Airbus calcula que um A380 leve 531 kg de verniz e base para a tinta, e 650 kg no total com todas as camadas de pintura.

É importante conseguir a espessura correta de tinta, segundo a Airbus. Uma camada muito fina não terá propriedades de proteção mecânica e de corrosão suficientes. Por outro lado, uma camada muito grossa será muito pesada e pode afetar a performance radioelétrica de algumas partes do avião.

Avião fica 'pelado' nas revisões pesadas

A Boeing recomenda repintar um avião, no máximo, três vezes em sua vida útil. Já a Airbus diz que a tinta pode ser removida e a aeronave pode ser repintada quantas vezes o operador desejar, para manter o avião "novo" ou se for preciso mudar a marca. 

A cada revisão pesada de rotina, que acontece a cada 6 a 10 anos, é obrigatório que toda a tinta seja removida para que a estrutura básica da aeronave fique exposta para revisões de manutenção, segundo a fabricante europeia.

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