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Árvore da Amazônia derrubada como vassoura sobrevive e vira hidratante

Armando Pereira Filho

Do UOL, em Abaetetuba (PA)

  • Divulgação/Natura

    Semente de ucuuba, da Amazônia, usada pela Natura para fabricar hidratantes

    Semente de ucuuba, da Amazônia, usada pela Natura para fabricar hidratantes

A ucuubeira ("árvore da manteiga") está sob risco de extinção na Amazônia porque é muito procurada para fazer cabo de vassoura, batente de porta, viga de telhado e carvão vegetal (a madeira é queimada).

Uma nova linha da empresa brasileira de cosméticos Natura, lançada no ano passado, ajuda a dar maior valor econômico para a árvore e a preserva de ser derrubada.

A empresa usa a ucuuba, fruto da árvore, cuja semente é fonte de uma manteiga leve com alto poder hidratante. Com isso, são produzidos cremes mais eficientes: conseguem hidratar bastante sem deixar a pele engordurada, segundo a Natura.

Moradores ganham três vezes mais

Os moradores na região de floresta no interior do Pará, ao lado de rios, derrubam as árvores para vender às madeireiras. Com o projeto da Natura, eles são estimulados a manter as árvores vivas, colhendo apenas os frutos.

A empresa diz que os moradores ganham três vezes mais do que conseguiriam vendendo a madeira. Além disso, a árvore fica em pé e vai render de novo, por uns dez anos.

Divulgação/Natura
Esta é a ucuubeira, árvore da ucuuba, que vira hidratantes

Açaí e murumuru viram perfume e xampu

A linha Ekos da Natura já existe há 16 anos e usa sementes e frutos da Amazônia, como açaí, murumuru, andiroba, buriti, cumaru e a própria ucuuba.

Armando Pereira Filho/UOL
Sementes de murumuru e xampu feito com o ingrediente

Trabalhadores viajam horas em barquinhos

Esses ingredientes são colhidos por comunidades ribeirinhas, que têm de navegar horas em barquinhos em rios do Pará e do Amazonas para entregar sua produção.
 
Armando Pereira Filho/UOL
Moradores do Pará usam barcos para levar sua colheita de sementes e frutos

Colheita de açaí rende até R$ 3.000 por mês

Na Amazônia, a Natura tem 24 comunidades fornecedoras, com cerca de 2.000 famílias. Segundo a empresa, o rendimento mensal dos ribeirinhos é de R$ 2.000 a R$ 3.000 na temporada do açaí, o produto mais valorizado. Isso dura por quatro meses no ano. Depois, eles têm de colher outras culturas.

Armando Pereira Filho/UOL
Homem sobe em árvore para colheita de açaí em Abaetetuba (PA)

Cooperativa industrializa sementes, e ganhos sobem 7 vezes

Vender só as sementes e os frutos não rende tanto dinheiro. Por isso a Coofruta, cooperativa dos trabalhadores de Abaetetuba (PA), criou uma pequena indústria com apoio da Natura para produzir lá mesmo óleos e manteigas que são matéria-prima dos cosméticos.

Segundo Cláudio Brito, diretor da Coofruta, o rendimento com a industrialização pode aumentar sete vezes. O quilo da semente do murumuru (usado para xampus e condicionadores) estava em torno de R$ 3,80 no fim de agosto. O quilo da manteiga de murumuru era vendido por R$ 27,50 (os valores flutuam conforme a colheita).

Armando Pereira Filho/UOL
Sementes de murumuru secam em estufa; elas valem 7 vezes mais após industrialização

Explorar a floresta sem matá-la

A Natura tem um projeto para explorar a floresta sem derrubar as árvores.

"O Programa Amazônia foi lançado em 2011 com o objetivo de manter a floresta em pé, dando valor para a produção de sementes, óleos e manteigas de árvores da Amazônia", diz Renata Puchala, gerente de Sustentabilidade da Natuara.

O projeto estimula pesquisa científica para descobrir que sementes podem virar cosméticos e produzir riqueza.

As propostas da empresa estão na sua "Visão de Sustentabilidade 2050", em que defende que suas marcas ajudem a formar consciência ecológica, buscando tecnologias inovadoras e com impacto positivo na sociedade. O projeto na íntegra está no site www.natura.com.br/e/sustentabilidade.

5 de setembro é o Dia da Amazônia

No dia 5 de setembro, é comemorado o Dia da Amazônia. A floresta tem cerca de 5,5 milhões e meio de quilômetros e abrange nove países. De seu território no Brasil, apenas 26% são protegidos (leia mais sobre a Amazônia aqui).

Reprodução/grayline
Desmatamento é um dos problemas enfrentados na floresta amazônica

(O jornalista viajou a convite da Natura)

 

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