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Da árvore à caixinha, água de coco fica pronta em 72h; conheça a produção

Maria Carolina Abe*

Do UOL, em Petrolina (PE)

Setenta e duas horas, no máximo, separam o momento em que a água de coco sai lá do alto do coqueiro até estar lacrada dentro da caixinha longa vida.

O UOL acompanhou o processo de produção da marca Kero Coco em Petrolina, no interior de Pernambuco. A empresa foi criada há 20 anos e, desde 2009, pertence à multinacional PepsiCo, dona de marcas como Pepsi, Gatorade, Toddy e Elma Chips.

Com clima semiárido e as águas do rio São Francisco, a região de Petrolina é propícia ao plantio de coco, que exige bastante sol, calor e água. Essas condições também favoreceram por ali as culturas de uva, manga, acerola e goiaba, por exemplo.

Como lá só chove de 10 a 15 dias por ano, sol não falta e não há risco de água demais, segundo Marcelo Zanetti, gerente de agronegócio da PepsiCo Brasil. Para compensar a falta de chuva, o que resolve é a irrigação. As águas do São Francisco chegam às plantações por meio de canais.

Fazenda de coco

A cerca de 35 quilômetros da cidade, em uma fazenda de 700 hectares (cerca de 7 quilômetros quadrados), a Kero Coco tem coqueiros a perder de vista. De cada um, são colhidos até 300 cocos por ano --mais do que a média convencional, segundo a empresa, graças ao tratamento especial dedicado às árvores.

Uma estação meteorológica na própria fazenda coleta dados sobre a incidência de luz e a quantidade de chuva. Esses dados são processados por um software, que informa o se está faltando algo para as plantas e em que quantidade. Cada coqueiro tem uma "mangueirinha" só sua, responsável pela irrigação daquela planta específica.

Diariamente, a colheita é feita em áreas diferentes da fazenda. De modo geral, cada coqueiro passa pela colheita uma vez por mês, com a retirada de um ou dois cachos de coco.

Ninguém escala o coqueiro. É com uma vara adaptada que os funcionários levam os cachos até o chão. Em seguida, os frutos são tirados do cacho, recolhidos por um trator, transferidos para grandes sacolas de plástico e levados de caminhão até a fábrica.

Linha de produção

A PepsiCo Brasil mantém em Petrolina uma fábrica que só produz água de coco. Os frutos chegam, são selecionados e lavados. Depois, são levadas por uma esteira até uma máquina que corta uma "tampa" em cada coco. A água, então, escorre do coco, passa por filtros e por uma longa tubulação de aço inox.

Por meio desses canos, o líquido vai de um galpão para outro. Em uma área toda protegida, cercada por janelas de vidro e com acesso extremamente restrito, o líquido fica dentro de um grande tanque. É nesse momento que são medidas as características da água de coco para verificar se estão dentro de um padrão determinado pela empresa --o objetivo é que o produto tenha o mesmo sabor em todas as caixinhas. 

Segundo a fabricante, para manter o padrão, são acrescentados sacarose e concentrado de água de coco (uma espécie de água de coco desidratada). Também são adicionados antioxidantes para conservação do produto (segundo a fabricante, são os mesmos usados em vinhos e frutas secas, por exemplo).

Uma vez dentro do padrão, o líquido passa pelo tratamento UHT, que elimina micro-organismos e esteriliza o produto, deixando-o pronto para ser colocado nas embalagens longa vida.

Mercado resiste à crise

A preocupação com a saúde e o corpo tem feito o produto resistir à crise. A água de coco em caixinha e os chás prontos foram as únicas bebidas não alcoólicas que tiveram aumento de vendas em 2016, segundo os dados mais recentes da consultoria Nielsen.

A Kero Coco não divulga dados de venda, mas diz que é no verão que o mercado bomba, e especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

A multinacional também mantém uma fábrica de água de coco em São Matheus (ES), mas sem plantação no local. Para ajudar a abastecer sua produção, além do que é produzido na fazenda própria em Petrolina, a empresa compra coco de cerca de 100 produtores rurais.

* A repórter viajou a convite da PepsiCo Brasi

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