EUA suspendem importação de carne bovina fresca do Brasil

Do UOL, em São Paulo

  • Guilherme Stutz/Futura Press/Estadão Conteúdo

Os Estados Unidos decidiram suspender todas as importações de carne bovina in natura (fresca) do Brasil nesta quinta-feira (22), devido a recorrentes problemas sanitários dos produtos brasileiros, afirmou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) em comunicado.

A suspensão da carne brasileira vai continuar até que o Ministério da Agricultura do Brasil tome medidas "satisfatórias" para corrigir processos de qualidade, de acordo com comunicado. A decisão norte-americana é representativa porque os critérios dos países da América do Norte costumam ser observados por outros países.

O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, havia conseguido acordo para exportar o produto in natura para os norte-americanos em agosto do ano passado. Quando obteve a entrada nos EUA, o setor privado brasileiro viu o processo como uma possibilidade de ganhar outros mercados importantes, como o do Japão e Coreia do Sul.

De acordo com dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), as exportações de carne fresca para os EUA somaram US$ 49 milhões de janeiro a maio. Esse valor, no entanto, representa apenas 3% de toda carne in natura exportada pelo Brasil no mundo todo, segundo a entidade.

Em nota, a Abiec lamentou a suspensão e informou que as ações corretivas para adequação dos processos produtivos já estão sendo tomadas. "Elas serão apresentadas em missão coordenada pelo Ministério da Agricultura, prevista para as próximas semanas", disse a entidade.

Baseado no próprio comunicado norte-americano, a Abiec diz acreditar que, confirmado o encontro e a apresentação das medidas para correção das irregularidades encontradas, as exportações podem ser retomadas em breve.

O UOL tentou contato com o Ministério da Agricultura, mas não obteve retorno até a publicação do texto.

Fiscalização aumentou após operação Carne Fraca

Em março, os EUA aumentaram a realização de testes para a carne fresca e produtos prontos de carne do Brasil, como precaução após a operação Carne Fraca, que revelou um esquema de venda de certificados sanitários por fiscais do Ministério da Agricultura.

Segundo o USDA, um número elevado de embarques não foi aprovado nas checagens realizadas pelo governo dos EUA. Desde que as checagens foram intensificadas, a agência do governo dos EUA rejeitou 11% dos produtos de carne fresca do Brasil, acima da taxa de rejeição de 1% para embarques do restante do mundo.

Ao todo, a agência rejeitou a entrada de 1,9 milhão de libras-peso de carne bovina do Brasil, devido a preocupações de saúde, sanitárias e questões relacionadas à saúde animal. O USDA acrescentou que nenhum dos lotes rejeitados entrou no mercado dos EUA.

Exportação de 5 frigoríficos já estava suspensa

A suspensão das importações de carne fresca por parte dos Estados Unidos acontece logo após o Ministério da Agricultura brasileiro suspender as exportações de cinco frigoríficos para os norte-americanos, depois de as autoridades sanitárias de lá identificarem irregularidades provocadas pela reação à vacina contra a febre aftosa.

As exportações que já estavam suspensas são de três plantas da Marfrig, localizadas em São Gabriel (RS), Promissão (SP) e Paranatinga (MT); uma da JBS, localizada em Campo Grande (MS); e uma da Minerva, em Palmeiras de Goiás (GO).

(Com Reuters e Agência Brasil)

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