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Alta de imposto pode ter efeito cascata e afetar de ônibus a supermercado

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Foto: André Nery/Acervo JC Imagem

O aumento dos impostos sobre os combustíveis não deve afetar só o preço da gasolina, do diesel e do etanol, mas ter um efeito cascata sobre toda a economia, incluindo transporte público, como ônibus, e alimentos no supermercado, avaliam economistas consultados pelo UOL.

"Esse aumento vai bater direto no bolso do cidadão, porque vai aumentar tudo aquilo que usa diesel e gasolina. E o que não usa diesel e gasolina para ser produzido?", diz Margarida Gutierrez, professora adjunta do Coppead/UFRJ.

O preço dos combustíveis já começou a ser remarcado nos postos nesta sexta-feira (21). Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, estima que o efeito direto seja um aumento de R$ 0,40 no litro da gasolina e de R$ 0,20 no litro do etanol.

Isso faz crescer a pressão para aumentar o preço dos transportes públicos, diz Paulo Azevedo, professor de Economia, Finanças e Estratégia Financeira do Ibmec. "Não deve aumentar na próxima semana, mas haverá uma pressão grande para que esse aumento ocorra, o que representa um impacto muito grande para a população de baixa renda", diz. "Para quem tem carro, o aumento vai ser sentido de forma imediata."

No curto prazo, o preço dos alimentos também deve subir, pois são transportados, em grande parte, em caminhões. Azevedo afirma que o preço dos produtos perecíveis (como verduras, legumes, frutas e carnes frescas) pode aumentar entre 5% e 10% em um curto período de tempo.

"Os supermercados não podem ter grandes estoques de produtos perecíveis, então é possível que o aumento seja repassado rapidamente ao consumidor."

Economia fraca limita repasses

Para o economista da consultoria Tendências, o repasse nos preços para o consumidor deve ser bastante limitado e difícil, já que a economia está em recuperação um pouco lenta.

Mesmo assim, isso deve ter impacto na inflação. A consultoria revisou sua estimativa de inflação para 2017, de 3% para 3,8%, após o anúncio do aumento do imposto.

Por outro lado, a consultoria não espera mudanças em relação à taxa de juros. A estimativa é de que a Selic, taxa básica de juros da economia, termine 2017 e continue em 2018 a 8,5% ao ano.

Alta de imposto é negativa para economia

Para Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer, consultoria especializada em varejo e bens de consumo, um aumento de imposto é sempre negativo para a economia.

"O consumidor já está refratário [menos disposto] a consumir por várias razões: há menos pessoas empregadas na família, quem ainda tem emprego tem um valor real menor de salário, e não existe uma perspectiva clara de futuro para os indivíduos. Quando vem um imposto que ainda drena parte dessa renda, a economia fica mais fraca ainda", diz.

Sem outra saída

Para a professora Margarida Gutierrez, o governo fez uma escolha difícil. "É uma escolha de Sofia: ele não tem mais onde cortar o gasto, a economia enfraquecida não está gerando as receitas esperadas. Ou aumentava esse imposto ou a outra alternativa seria aumentar a meta do deficit primário", diz.

O déficit primário é o resultado negativo das contas do governo sem considerar os gastos com juros da dívida pública.

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