Postos começam a trocar preços dos combustíveis após governo subir impostos

Carlos Eduardo Cherem, Carlos Madeiro, Marcela Lemos e Ricardo Marchesan

Colaboração para o UOL e do UOL, em Belo Horizonte, Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo

  • Ricardo Marchesan/UOL

    Funcionário de um posto em SP muda os preços na manhã desta sexta-feira

    Funcionário de um posto em SP muda os preços na manhã desta sexta-feira

Um dia após o governo anunciar o aumento de impostos sobre os combustíveis, os postos de São Paulo (SP) já começavam a repassar o reajuste ao consumidor nesta sexta-feira (21). Em um posto sem bandeira na rua Heitor Penteado, zona oeste da capital paulista, os preços subiram por volta das 10h. O etanol passou de R$ 1,939 para R$ 2,189, e a gasolina, de R$ 2,93 para R$ 3,389.

Pouco antes da troca, o gerente do local avisava os clientes que passavam que o combustível subiria "em 10 minutos". O taxista Tiago Moraes, 32, foi um dos últimos a pagar o preço antigo no etanol.

Vai pesar. Tudo passa para nós (população).

Ricardo Marchesan/ UOL
O taxista Tiago Moraes, 32, foi um dos últimos a pagar o preço antigo no etanol

O presidente Michel Temer assinou, na véspera, um decreto aumentando as alíquotas de PIS/Cofins sobre os combustíveis. O tributo cobrado sobre a gasolina, por exemplo, passou de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 por litro --para um tanque de 50 litros de gasolina, são R$ 20,5 a mais na conta.

Consumidor lamenta aumento no Rio

Apesar da alta de impostos já estar em vigor, os postos visitados pelo UOL no Rio de Janeiro (RJ) ainda não haviam repassado o aumento para as bombas na manhã desta sexta-feira, e o movimento de clientes era tranquilo, sem filas.

O arquiteto Flávio Cabral, 38, disse que gasta cerca de R$ 1.000 por mês com gasolina para ir de casa ao trabalho, e lamenta a alta.

Se você pensar que mais de 60% do preço da gasolina é de imposto, desanima.

"E a gente produz, né? Acredito que esse aumento deve impactar em quase R$ 70 a mais por mês no meu orçamento. Espero que não passe disso. Só a despesa com combustível representa hoje R$ 1.000 e não para de subir", afirma.

Em um posto no bairro de Laranjeiras, o frentista Roberto Leoti informou que ainda não havia previsão repassar o aumento para as bombas.

Também no Rio, num posto na rua Pinheiro Machado, o frentista Edinaldo Rodrigues disse que todos os motoristas têm perguntado sobre o preço.

Todo carro que chega pergunta se o preço já aumentou. Mas apesar da notícia, o movimento está tranquilo. Em pouco tempo a gasolina já diminuiu e agora já vai aumentar de novo.

Marcela Lemos/ UOL
O frentista Edinaldo Rodrigues em um posto no Rio de Janeiro

Em Maceió, preço acima da média

Em Maceió (AL), a gasolina estava sendo vendida pela manhã no mesmo preço médio de R$ 3,66. O UOL visitou cinco postos em quatro bairros diferentes, e ouviu de frentistas que não houve maior procura do que o normal nesta sexta-feira. "Algumas pessoas perguntaram, mas não aumentou em nada o movimento", disse um frentista que trabalha em um posto no bairro do Barro Duro.

Todos os locais visitados estavam sem fila, nem movimentação intensa. Nenhum frentista soube informar quando deve haver reajuste nos preços. "Até agora, pelo que o gerente disse, não teve qualquer decisão sobre isso", afirmou um funcionário.

Na capital alagoana, os postos estão "em crise" com o poder público por causa do preço muito acima da média de outras capitais do Nordeste e até de cidades do interior. O Procon começou uma força-tarefa, na semana passada, para apurar a forma de precificação, e a Câmara de Vereadores abriu uma Comissão Especial de Inquérito para investigar os postos.

Carlos Madeiro/UOL
Posto no bairro do Barro Duro, em Maceió, não havia aumentado os preços nesta sexta

"Já pagamos muitos impostos"

Na zona sul de Belo Horizonte (MG), no bairro São Pedro, um posto já havia repassado parte da alta dos impostos aos consumidores. O preço da gasolina comum subiu de R$ 3,599 para R$ 3,699; já os valores do etanol (R$ 2,699) e do diesel (R$ 3,299) foram mantidos. Outros cinco postos visitados pelo UOL na manhã desta sexta-feira ainda não haviam aumentado os preços.

Não houve uma "corrida às bombas" nesta sexta, segundo frentistas e gerentes dos postos visitados. "O movimento está normal. O pessoal não está muito preocupado, não", afirmou Alex Pereira Batista, gerente de um posto localizado no bairro Sion, também na zona sul da cidade.

Apesar do movimento tranquilo, alguns consumidores correram para não perder os preços antes do reajuste. É o caso do motorista de táxi Rogério Barbosa, 52.

Vou tentar aproveitar. Você acha que eles (postos) não vão aumentar os preços?

Carlos Cherem/UOL
O taxista Rogério Barbosa abastece seu carro antes do aumento de preço

O professor Alexandre Dias ficou incomodado ao abastecer o carro com gasolina mais cara nesta sexta. "Já pagamos muitos impostos. Não dá para ficar aumentando desse jeito que eles (governo) estão fazendo."

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