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Cinco meses de espera e viagem de 75 km: a saga do carioca em busca do INSS

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

19/01/2018 04h00

Esperar até junho ou viajar 75 quilômetros até outra cidade: quem precisa agendar atendimento no INSS no Rio --por exemplo, para dar entrada na aposentadoria-- vem enfrentando dificuldades pela internet ou pelo telefone.

No dia 12 de janeiro, a reportagem tentou agendar atendimento tanto pelo site quanto pelo telefone do INSS. 

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Pelo site, a busca por um horário para emissão de certidão por tempo de contribuição trouxe resultados em cidades a até 75 km de distância da capital fluminense (Guapimirim) e somente a partir no final de março. Para ser atendido em um posto mais próximo, é preciso ter paciência: as primeiras vagas estão disponíveis só para junho.

Veja as opções que foram oferecidas:

  • 28/3, em Tanguá;
  • 9/4, em Magé;
  • 11/4, em Guapimirim;
  • 17/4, em Itaboraí;
  • 4/6, na Av. Brasil;
  • 8/6, na Barra da Tijuca;
  • 19/6, em Copacabana;
  • 22/6, na Ilha do Governador.

A reportagem também tentou agendar pelo telefone 135 o atendimento para atualização de dados cadastrais. O tempo de espera estimado foi de 21 minutos, e o atendimento ocorreu dentro do prazo. Ao solicitar o atendimento em agências nas proximidades da zona sul, o atendente do INSS afirmou que tal serviço encontrava-se indisponível e não soube explicar o motivo. Como alternativa, apresentou horários em agências de outras cidades. 

Em nota, o INSS afirmou que "foram realizados concursos públicos, investimentos em tecnologia e melhorias em fluxos de trabalho", mas que a "situação atual é mais crítica e ainda não há solução definitiva". Informou, ainda, que "parte do público prefere optar pelo agendamento em data mais próxima, embora em local mais distante".

Leonel: 23 minutos na espera e a ligação caiu

Marina Lang/UOL
Imagem: Marina Lang/UOL

O ambulante Leonel Rocha dos Santos não teve a mesma sorte de ser atendido pelo telefone.

"Tentei agendar por telefone para pegar a informação e dar entrada na aposentadoria da minha mulher. Estava na dúvida sobre o tempo para aposentadoria de mulheres, só queria perguntar", contou, em frente à agência do INSS na avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Fiquei pendurado 23 minutos. Pior: liguei do celular e paguei pulso. Fiquei aguardando, e daí a ligação caiu. Tentei ligar de novo, ficou difícil de conseguir e desisti.

Leonel Rocha dos Santos, ambulante

Na última terça-feira (16), ele havia ido à agência do INSS na zona Sul do Rio para pagar a contribuição de autônomo que estava vencida. "Aqui não está fazendo o cálculo [relativo aos juros e multa pelo atraso no pagamento]. Vou ter que ir à [agência da rua] Raimundo Correia."

Horário em fevereiro, a 111 km

Marina Lang/UOL
Imagem: Marina Lang/UOL

O despachante Rubens de Souza Gouvêa afirmou não ter tido problemas pelo telefone, mas sim pelo agendamento via internet.

Como despachante, fiz o processo de aposentadoria de um rapaz. O sistema me deu um horário para maio. Tive que agendar para Silva Jardim [fica a cerca de 110 km do Rio] para fevereiro.

Rubens de Souza Gouvêa, despachante

Ele diz que já se organizou para a viagem. "Mesmo oferecendo disponibilidade em outros municípios, quando eu opto por algum, sou informado no site que não há vagas [para atendimento]. Só pelo [telefone] 135 eu consigo. Tenho impressão que estão desmotivando o serviço pela internet."

Quem tem advogado passa na frente

Graças a uma decisão da Justiça Federal, de setembro, quem contrata um advogado para cuidar do processo junto ao INSS consegue "furar a fila". De acordo com a decisão, advogados não precisam agendar o atendimento e devem ter um guichê específico para atendimento.

Marina Lang/UOL
Imagem: Marina Lang/UOL

Na porta da agência da avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, um cartaz informava que, "diante do número reduzido de servidores", o atendimento aos advogados seria feito após prioridades definidas por lei (pessoas com deficiência, idosos acima de 60 anos, gestantes, lactantes, pessoas com criança de colo e obesos).

Marina Lang/UOL
Imagem: Marina Lang/UOL

A reportagem esteve na unidade central no dia 12. Por volta das 16h, a agência –cujos horários estão indisponíveis na internet– estava vazia. Havia apenas uma funcionária fazendo atendimento nos guichês, além da recepcionista que distribui as senhas.

Pessoa responsável está em férias

Cansado de esperar por agendamentos, o designer Romulo Ataíde foi direto à procura de atendimento. "Tenho direito a um benefício. Eu só preciso de uma contabilidade deles, mas eles não conseguem resolver. Faz dois anos que tento resolver um benefício deixado para mim. Por ser simples, não preciso de advogado", declarou.

"Cheguei 14h e fui atendido 16h22 para tentar resolver problema de cadastramento, mas o atendimento me disse que eu tenho que ver com uma pessoa que está em férias", afirmou. "Estou frustrado. Você fica tentando resolver, mas não consegue."

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