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A principal necessidade das empresas é o crédito, diz gerente do Sebrae

Do UOL, em São Paulo

14/04/2020 13h37

Diante do impacto econômico causado pela pandemia do novo coronavírus, as micro e pequenas empresas do Brasil têm um novo desafio: como manter crédito e capital de giro frente ao esfriamento do consumo.

Este foi um dos pontos abordados no UOL Debate de hoje. O programa reuniu Iroá Arantes, gerente regional do Sebrae-SP; David Kallás, professor e coordenador do Centro de Estudos em Negócios do Insper; Diogo Mac Cord, secretário de Infraestrutura da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), do governo federal; Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado; e Jennifer Rodrigues, sócia-fundadora da Empreende Aí.

Para Iroá, o momento é inesperado para empresas de todos os portes. Para as pequenas empresas, o mais importante neste momento é o acesso fácil ao crédito.

"É interessante o movimento porque estou repetindo várias vezes a mesma coisa: ninguém se planejou para este momento. As pessoas não estavam pensando e se planejando para trabalhar home office, empresas não estavam se planejando para fechar as portas para o público. Empresas não têm fluxo de caixa para ter queda abrupta, para ter queda no faturamento de uma hora para a outra. Governos também não se planejaram para o momento", relatou.

Neste cenário, segundo ela, "tudo o que surge é uma saída, solução emergencial". "Nessa primeira solução emergencial, o primeiro trabalho que o Sebrae planejou é: como se orienta micro e pequena empresa?", disse. "O microempreendedor individual passa de 50% dos CNPJs do Brasil. Então, estamos falando de uma multidão — além também de a gente trabalhar com pessoa física, que é aquela que já estava desempregada e já estava procurando no empreendedorismo uma forma de geração de renda."

Para Iroá, as primeiras orientações para empresas nessa situação é manter o mínimo de faturamento e focar, quanto possível em vendas pela internet e delivery.

"Depois disso, a gente começou a trabalhar como que ela se mantém nesse período de quarentena. E conversando com esses empresários através da consultoria online, chat, e a gente vem sentindo. Nesse momento, qual que é a principal necessidade? Nesse momento, a principal necessidade é o crédito", assegurou.

"Empresas que muitas vezes não têm avalista, movimentação financeira, demonstração contábil que dê garantia para o banco, então é a grande ajuda que a gente pode trabalhar é orientar essa empresa como ela (pode) manter o fluxo de caixa estabilizado e conseguir crédito a juros baixos", completou.

Iroá ainda destacou pontos que considerou importantes, "que a gente tem que acompanhar diariamente". "Foco na inovação e vendas, caixa, buscar crédito e também negociação com seus fornecedores e parceiros, acompanhar muito de perto tudo o que o governo está soltando diariamente", listou.

Cuidados

Jennifer Rodrigues, da Empreende Aí, destacou como as periferias têm reagido ao revés econômico — também, disse, esperando apoio financeiro.

"É uma escola de negócios da periferia para a periferia. Isso através das nossas formações e metodologias despertando empreendedor", disse ela. "O que esses empreendedores demandam mais é esse apoio e emergência financeira. Muitos estão com faturamento zero, angustiados com a situação que esse momento traz."

Ainda de acordo com Jennifer, "com situação paliativa, a gente criou um microcrédito e a intenção é que a gente possa olhar para os empreendedores negativados". Segundo ela, os pequenos empreendedores podem "se adaptar às necessidades do momento", citando a possibilidade de empresas ligados à moda produzirem máscaras neste momento.

Mas não é só. Para quem vê menos dinheiro chegando, é importante manter a parte emocional em dia, destaca.

"Importante também cuidar da saúde mental no momento. Puxo essa bandeira, da importância de falar de autocuidado", defendeu. "Que também a gente possa ter esse autocuidado, buscar atendimentos online, é importante dosar esse equilíbrio."

David Kallás pediu uma ação coordenada, para "todos os entes trabalharem juntos", de forma a diminuir as inseguranças no setor.

"Lógico que concordo que, como o Tesouro é quem tem o maior poder de ação, ele possa sem dúvida apoiar e participar com grande parte desse auxílio. Mas nada impede que a gente busque soluções criativas de um lado", opinou. "É uma ação que tem que ser coordenada de todo mundo. O que a gente precisa é ter espírito muito forte de colaboração e cidadania."

Para o professor, a oferta de crédito de bancos pode não ser o melhor negócio para todos os casos.

"Depende da oferta. O tomador vai ter que consultar o maior número de opções possíveis. Historicamente, bancos públicos acabaram oferecendo mais crédito com linhas subsidiadas. Seria o primeiro lugar em que eu, como empreendedor, consultaria", avaliou.