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Propaganda na live: Gusttavo Lima é "advertido" por conselho de publicidade

Reprodução/Youtube
Imagem: Reprodução/Youtube

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/05/2020 13h19

O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) julgou nesta quinta-feira (14) a representação ética que havia aberto contra ações publicitárias feitas nos shows "Live Gusttavo Lima - Buteco em Casa" e "Buteco Bohemia em Casa", do cantor Gusttavo Lima. Por unanimidade dos conselheiros presentes à sessão virtual, o cantor foi apenas "advertido" pelo Conar.

O processo foi aberto no meio de abril, após "dezenas de denúncias de consumidores", que consideraram que as ações publicitárias feitas pela Ambev durante as apresentações precisariam de "cuidados recomendados pelo Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária para a publicidade de bebidas alcoólicas".

Após isso, o Conselho foi acusado nas redes sociais de ter denunciado o cantor por motivações políticas ou para defender emissoras de televisão, que estariam perdendo audiência com as apresentações. Em sua defesa, o Conar afirmou que "atua exclusivamente em nome de anunciantes, agências e veículos de comunicação no exame do conteúdo de publicidade de todos os tipos, inclusive aquelas envolvendo influenciadores digitais".

A Ambev, por sua vez, afirmou que enviou um guia aos artistas, reforçando as regras do conselho. "Estamos reforçando as regras dado esse novo contexto de entretenimento virtual e estamos mais do que nunca comprometidos com o consumo responsável de nossos produtos", declarou a empresa.

Puxão de orelha surtiu efeito

O "puxão de orelha" parece ter surtido efeito. A Brahma, marca da Ambev, esteve presente na live do projeto Amigos, realizada no dia 20 de abril, feita pelos cantores Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano e Leonardo. Em certo momento, Zezé di Camargo, ao falar da cerveja, disse que "a produção não deixou ele beber ali". "Puseram a Brahma aqui, mas não deram o abridor", brincou.

No domingo passado (10), foi a vez de o cantor Zeca Pagodinho surpreender o púbico ao trocar a bebida alcoólica por água em sua apresentação. O músico brincou com a situação e explicou ao público que estava seguindo à risca as recomendações do Conselho. "Toda hora penso que tem um copo [de cerveja] aqui. Meto a mão e é água. Que sofrimento. Primeira vez que passo por isso", disse.

O sertanejo Felipe Araújo, que fez uma apresentação no dia 25 de abril, foi mais agressivo. Enquanto segurava um copo de cerveja, o cantor disparou contra o órgão. "Ô, Conar, vai tomar no... Eu vou tomar uma, tô nem aí pra vocês", disse, apesar de a live não ter patrocínio de nenhuma marca de cerveja.

Regras são criadas pelos próprios anunciantes

O Conar segue regras do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, produzido pelas próprias empresas anunciantes e grupos de mídia. Em seus artigos, o Código diz, por exemplo, que a "publicidade não deverá induzir, de qualquer forma, ao consumo exagerado ou irresponsável" de álcool e que o "Código encoraja a realização de campanhas publicitárias e iniciativas destinadas a reforçar a moderação no consumo" de bebidas alcoólicas.

Segundo as regras do código, os cantores não poderiam aparecer consumindo bebidas alcoólicas e todas as lives patrocinadas por cervejas, por exemplo, deveriam conter uma das frases de advertência, como "beba com moderação", "evite o consumo excessivo de álcool" ou "não exagere no consumo".

O Conar não exerce poder de polícia e sequer pode multar marcas e pessoas envolvidas em suas ações. As decisões tomadas pelo Conselho de Ética são apenas recomendações, que podem ou não ser acatadas. Em 2019, o Conar abriu mais de 300 processos éticos, 70% deles motivados por denúncias de consumidores.

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