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Bolsonaro não reconhecer Biden não afeta economia, diz presidente da CNI

Carla Araújo e Antonio Temóteo

Colaboração para o UOL e do UOL em Brasília

17/11/2020 04h00Atualizada em 17/11/2020 11h10

Os efeitos da pandemia de coronavírus foram sentidos pela indústria em 2020, mas o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Braga de Andrade, tem expectativas positivas e de retomada para o ano que vem.

Em entrevista ao UOL (assista à íntegra no vídeo acima), Andrade afirmou não acreditar que as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos sejam afetadas por uma eventual divergência diplomática. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não cumprimentou o democrata Joe Biden pela vitória nas eleições norte-americanas.

Essa questão do reconhecimento [dá vitória do candidato Joe Biden] é mais um gesto político, uma decisão do presidente, do governo dele, mas para a economia isso não tem influência. A gente sempre teve excelentes relações e os Estados Unidos são os nossos principais parceiros comerciais e continuarão sendo. Mudou o governo, mas não muda completamente as relações comerciais. A gente está trabalhando sempre para melhorar a relação com os Estados Unidos, porque, como eles são um grande mercado consumidor, um grande parceiro tecnológico, de inovação, nós temos essa relação de afinidade com os americanos"
Robson Braga de Andrade, presidente da CNI

Andrade afirma que a situação de 2020 foi completamente inesperada e atípica, cita que a previsão de crescimento para a indústria era em torno de 3%, mas que a partir de agosto a atividade industrial já começou a dar sinais de retomada. Ele afirma que o avanço da reforma tributária é fundamental para incentivar a indústria e que com mudanças no sistema tributário é possível ver "boas possibilidades para 2021".

Mineiro de São João Del Rey, Andrade é engenheiro e foi eleito presidente da CNI em 2014. Fica no comando da entidade pelo menos até 2022. Como empresário, lidera o grupo Orteng, que fornece equipamentos elétricos e eletromecânicos.

Em fevereiro de 2019, Andrade foi alvo da Operação Fantoche, da Polícia Federal, e chegou a ser preso e solto no mesmo dia. A acusação é de uma suposta organização criminosa que teria desviado recursos do Sistema S e do Ministério do Turismo. Na ocasião, a CNI disse que Andrade prestou esclarecimentos à Justiça e que acreditava que tudo seria devidamente esclarecido.

Em agosto deste ano, o Ministério Público Federal em Pernambuco, como desdobramento da Operação Fantoche, denunciou Andrade e outras nove pessoas sob a acusação de peculato (uso de cargo para desvio de recursos).

O Departamenteo Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI) afirma que "o auxílio financeiro que concedeu ao Departamento Regional de Pernambuco, para que patrocinasse o Projeto Relix, seguiu rigorosamente os trâmites e os controles da instituição, além de ter sido fiscalizado e certificado por auditorias externas e demais órgãos de controle."

A instituição também diz que tem "um amplo programa de compliance, que forneceu toda a documentação requerida pelas autoridades", e que seu diretor, Robson Braga de Andrade, "prestou todos os esclarecimentos solicitados pela Justiça".

Confira abaixo alguns pontos da conversa:

Câmbio ideal para a indústria

Eu acho esse câmbio que está aí, vamos dizer entre R$ 5,30 e R$ 5,50, talvez seja o câmbio normal, talvez seja o patamar adequado da moeda. Eu, francamente, não tenho expectativa do câmbio chegar R$ 4,95 nem chegar a R$ 6. Então, eu acho que nós estamos com o câmbio adequado. Eu acho que o sistema brasileiro, o câmbio livre, é um sistema adequado"

Fim do auxílio emergencial

Existe uma grande preocupação dos investidores, dos brasileiros com relação à questão fiscal, que o Brasil tem hoje um endividamento muito elevado. O que se espera para 2021 é de auxílio bem menor, talvez o Bolsa Família ampliado, outro nome, qualquer coisa desse tipo, então realmente existe em um fator de menos injeção de recursos na economia a partir de janeiro de 2021. Isso é preocupante"

Aumentar a base de produção da indústria

Uma coisa que foi importante nesse ano de 2020 foi que o Brasil inteiro e o mundo acabaram entendendo a importância de ter uma base produtiva mais ampla, porque você não pode ficar dependendo apenas de um fornecedor. Não podemos ficar dependendo apenas de um cliente. Temos que ampliar sua base de produção no Brasil. Claro que não dá para produzir tudo, mas a gente tem que aumentar nossa rede e essa sinalização de necessidade de aumento da capacidade industrial brasileira, foi muito importante"

Reforma tributária

A reforma tributária é fundamental para melhorar o ambiente de negócios e para ampliar a segurança jurídica. Os impostos no Brasil são injustos, burocráticos e complexos. A CNI defende o IVA (Imposto de Valor Agregado) nacional, mas entende as dificuldades políticas para a matéria avançar no Congresso"

Desoneração não gera empregos

O que gera emprego não é a desoneração da folha. O que gera emprego é o crescimento econômico, são os investimentos que vão gerar empregos. Já vínhamos com o desemprego alto. Se ocorrer a desoneração da folha hoje não teremos contratação porque não há demanda de mercado. Então, o que vai fazer com que haja mais empregos é o crescimento, os investimentos na infraestrutura, investimentos na produção, a possibilidade de acordos internacionais para que nós possamos exportar mais. Isso é que vai dar emprego. Por outro lado, não somos contra uma desoneração da folha".