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Presença de homens negros em papéis de destaque em comerciais cai para 7%

Getty Images
Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

26/11/2020 18h06Atualizada em 26/11/2020 20h30

A presença de homens negros em papéis de destaque em comerciais de TV caiu de 22% para 7% em um ano, de acordo com a 9ª onda da pesquisa TODXS, um estudo desenvolvido pela ONU Mulheres e pela Heads Propaganda, divulgada hoje.

O levantamento tradicionalmente mapeia como gênero e raça são representados pela publicidade brasileira. O estudo coleta dados de comerciais de televisão durante sete dias corridos em canais de TV aberta e fechada de maior audiência (neste caso, TV Globo e Megapix, respectivamente).A pesquisa também analisa publicações feitas no Facebook. Os comerciais e posts analisados na 9ª onda foram extraídos entre 15 e 21 de fevereiro deste ano.

Segundo a pesquisa, a participação de homens negros em situações de protagonismo na TV caiu de 22% em fevereiro de 2019 para 7% no levantamento ocorrido no mesmo período deste ano. Já a presença de mulheres negras aumentou cinco pontos percentuais em relação à onda anterior, mas continua sem ultrapassar os 25% —pico alcançado na 7ª onda do estudo (julho 2018).

Mulheres brancas, diz o estudo, ainda representam 74% das personagens protagonistas. Homens e mulheres negros aparecem mais como coadjuvantes e, ainda assim, com uma presença muito inferior se comparada aos brancos.

Para a coordenadora do estudo, Isabel Aquino, há um certo comodismo da indústria de comunicação, que precisaria ser confrontado, sobretudo em comerciais que têm homens e mulheres protagonistas e mais pessoas envolvidas em cena.

"Em comerciais com vários protagonistas, é mais fácil legitimar a diversidade, mas também é mais difícil trabalhar individualidade, aprofundar a personalidade. Não acho que esse tipo de representação seja necessariamente ruim, mas o fato de negros aparecerem em maior quantidade nesse tipo de peça, é sem dúvida uma sombra do racismo e da incapacidade do mercado de criar narrativas interessantes e exclusivas para personagens negros ou outros grupos minorizados", disse ela.

Padrão: brancas, magras, cabelos lisos...

Ainda de acordo com o levantamento, as mulheres que mais aparecem nas peças publicitárias são brancas, jovens, magras, com curvas, cabelos lisos e castanhos. Os homens são brancos, fortes, com músculos torneados, cabelos lisos e castanhos. Essas características aparecem em mais de 60% dos comerciais.

Em contrapartida, pessoas com cabelos cacheados e crespos atingiram 29% das representações entre as mulheres protagonistas, mas a preferência continua sendo pelos cabelos lisos.

Chief creative officer da Heads, Joanna Monteiro acredita que a publicidade tem papel fundamental na desconstrução de preconceitos.

"É também a partir da forma como as pessoas são representadas em filmes e peças publicitárias que se constrói o imaginário coletivo: ele pode ser raso e cheio de estereótipos ou trazer representatividade de verdade. Essa discussão é urgente", afirmou.

GBTQIA+, PCD e maduros

Uma das novidades apresentadas pela pesquisa na 9ª onda —a cada ano há duas ondas de pesquisas— são os dados inéditos coletados sobre outros públicos, como GBTQIA+, PCD (pessoas com deficiência) e pessoas com mais de 60 anos.

Neste caso, o público maduro atinge 12% de representatividade, mas quase sempre com pessoas brancas. "Isso fica ainda mais evidente quando procuramos nos grandes bancos de imagem por 'mulher negra madura' - as possibilidades são praticamente inexistentes ou, quando existem, não trazem uma visão empoderada desta mulher", pontuou Isabel Aquino.

Já os LGBTQIA são apenas 1,3%, enquanto as pessoas com deficiência encontram apenas 0,8% de representatividade.

Desde a primeira edição do estudo em 2015 até agora, já foram avaliadas 22.253 inserções de comerciais de televisão e 5.769 posts no Facebook.

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