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Jornal americano afirma que auxílio emergencial explicitou lacuna no Brasil

auxílio emergencial - Marcelo Camargo/Agência Brasil
auxílio emergencial Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Colaboração para o UOL

22/04/2021 14h20

O jornal norte-americano The Washington Post publicou, hoje, uma reportagem sobre a cidade de Stockton, na Califórnia, e a implementação de uma renda básica em 2017. A publicação citou ainda o auxílio emergencial no Brasil durante a pandemia, mas advertiu que o país mostrou "uma lacuna com este programa".

Segundo o jornal, por aqui, as ideias de renda básica existem há mais de 20 anos, mas foi necessária uma pandemia durante o governo de um "líder populista de direita" para a implementação da política em escala nacional.

No ano passado, o governo brasileiro distribuiu cerca de US$ 52 bilhões para quase 68 milhões de pessoas desempregadas e extremamente pobres. Apesar do esforço, o país, na avaliação do jornal norte-americano, mostrou uma lacuna já que, quando o financiamento acabou, as famílias pobres voltaram à miséria.

"Garantiu um mínimo de dignidade para muitas pessoas", disse Josiani Salinos, uma líder comunitária no sul do Brasil, em uma entrevista à publicação.

Mas Salinos afirma que, findado o auxílio emergencial, as pessoas voltaram ao desespero por causa da crise. "Agora, vemos o quanto sentimos falta de ajuda de emergência. As pessoas estão vendendo seus pertences pessoais, como televisores e geladeiras, nas ruas ", disse ao jornal.

O exemplo de Stockton

Stockton, com cerca de 300 mil habitantes, foi a primeira cidade americana em décadas a adotar a ideia de uma renda básica como um potencial solução para a crescente desigualdade nos Estados Unidos durante o mandato do prefeito Michael Tubbs, em 2017.

Três anos depois, segundo o jornal norte-americano, a experiência da cidade da Califórnia oferece lições sobre essa política e suas limitações. Para os beneficiados pela renda básica em Stockton, o programa parece ter sido um sucesso. Segundo estudo divulgado pela publicação, os níveis de emprego em tempo integral aumentaram entre o grupo de pessoas que recebeu o dinheiro e a saúde mental e emocional melhorou.

Apesar disso, há quem acredite que o programa não foi universal, uma vez que apenas 125 pessoas participaram dele, e que ele acabou sem que houvesse alguma substituição. "Os níveis de pobreza aqui são quase o dobro da média nacional, e a falta de moradia aumentou nos últimos anos, evidente em barracas improvisadas e acampamentos de trailers que margeiam a orla ribeirinha da cidade", afirmou trecho da publicação.

A experiência de Stockton sugere que sustentar esses programas é bastante desafiador. Segundo Bill Galston, membro da Brookings Institution, há evidências de que estas são politicamente muito mais eficazes do que outras técnicas tradicionalmente usadas.

Mesmo assim, Bill afirma à publicação que há limites. "Você não pode simplesmente continuar fazendo isso para sempre. Certamente não será uma dieta estável", explicou.