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Para presidente da Petrobras, se represar preço pode faltar combustível

Joaquim Silva e Luna disse que considera alternativas que permitam à Petrobras suavizar reajustes sem afetar caixa da companhia - Pedro Ladeira/Folhapress
Joaquim Silva e Luna disse que considera alternativas que permitam à Petrobras suavizar reajustes sem afetar caixa da companhia Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

03/10/2021 08h40

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse, em entrevista ao jornal O Globo, que segurar os reajustes dos preços dos combustíveis pode provocar desabastecimento do produto nos postos. Os comentários do executivo da estatal petroleira brasileira reforçam declarações dadas antes por ele, afastando a possibilidade de mudar a política de preços da companhia.

Na entrevista ao jornal O Globo, Silva e Luna destacou que o Brasil não tem como evitar uma política de preços que acompanhe a cotação internacional do petróleo porque a importação do produto é responsável por cerca de 30% da gasolina e do diesel comercializados no país.

"Se preço for represado, vai haver desabastecimento de combustível', afirmou Silva e Luna na entrevista a O Globo. Segundo ele, interferência no preço do combustível "é uma coisa grave e séria que a gente tem que estar atento".

Pressões políticas

O presidente da Petrobras admitiu que existe pressão política cada vez maior para que o governo faça algo para conter os reajustes dos combustíveis.

No último dia 29, por exemplo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que irá convidar estados e a empresa para discutir uma possível solução legislativa para formação de preços e tentar conter os reajustes.

O presidente da Petrobras garantiu, entretanto, que as alterações de preços dos combustíveis têm sido baseadas em decisões técnicas. "Não há decisões políticas nessas alterações", afirmou.

Ele afirmou ainda que não há pressões por parte do presidente Jair Bolsonaro. "Pelo presidente da República, não. Ele nunca pressionou a Petrobras. Ele busca informações, mas entende perfeitamente", disse Silva e Luna a O Globo.

O último reajuste, semana passada, elevou os preços do diesel nas refinarias em 8,89%, que já chegou aos postos.

Alternativas para suavizar reajustes

Mas o presidente da Petrobras admitiu que o governo pode considerar alternativas que permitam à Petrobras suavizar os reajustes sem afetar o caixa da companhia. Isso poderia ser feito por meio da criação de um fundo regulador, financiado pelos dividendos da Petrobras pagos à União, ou seja, a parte dos lucros da empresa que vão para o governo por conta da participação acionária equivalente.

Para o presidente da Petrobras, esse tipo de mecanismo poderia ajudar, por exemplo, os caminhoneiros, dando maior previsibilidade com relação aos contratos que eles acertam.

Gás

Sobre o preço do gás de cozinha, Silva e Luna admitiu na entrevista a O Globo que "o preço do gás está muito alto" e reconheceu que "tem desabastecimento", mas ponderou que os custos das commodities subiram muito.

"A Petrobras não deixa faltar combustível no mercado, ela paga tributo, paga royalties e gera empregos. Essa é a grande contribuição que a empresa dá. Uma empresa robusta pode ajudar o país. Antes a empresa trabalhava seis meses por ano para pagar o juro da dívida. Passamos desse vale da morte. O governo está agindo. O presidente está preocupado e está agindo junto com os seus atores para encontrar uma solução", disse Silva e Luna.

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